Sexta-feira, 04 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 31 de março de 2025
Em diferentes momentos, Lula se referiu a Moro como “picareta”, “canalha” e “mentiroso”.
Foto: ReproduçãoHoras após se tornar réu por decisão unânime da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro reuniu apoiadores, mobilizou a imprensa e concedeu duas entrevistas nas quais negou qualquer envolvimento em conspiração golpista após as eleições de 2022. Em mais de uma hora de declarações, afirmou que há uma perseguição pessoal contra ele.
Diante das câmeras, Bolsonaro criticou o sigilo dos inquéritos, classificou as acusações na ação como infundadas e declarou ter sido alvo de uma conspiração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no último pleito, quando a Corte era presidida pelo ministro Alexandre de Moraes. Também acusou o relator do processo de conduzir as investigações de maneira tendenciosa. “Algo da forma tão incisiva como o ministro Alexandre de Moraes conduz (…), tem algo esquisito por aí”, disse.
A decisão do Supremo Tribunal Federal abriu uma nova fase do embate entre Bolsonaro e Moraes, segundo reportagem da revista Veja. A postura combativa do ex-presidente, no entanto, contraria parte de seus aliados, que defendem um distanciamento estratégico para evitar novos atritos com a Suprema Corte.
Para minimizar o impacto das declarações, apoiadores de Bolsonaro resgataram episódios envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-juiz Sérgio Moro. Durante um dos depoimentos no âmbito da Lava-Jato, Lula confrontou Moro: “Eu posso olhar na cara dos meus filhos e dizer que eu vim a Curitiba prestar depoimento a um juiz imparcial?”, questionou.
Em diferentes momentos, Lula se referiu a Moro como “picareta”, “canalha” e “mentiroso”. Também acusou a força-tarefa da Lava Jato de ser uma “quadrilha” com interesses financeiros e afirmou viver em uma “guerra” contra os veículos da grande imprensa.
A estratégia dos aliados de Bolsonaro ao relembrar esses episódios busca relativizar a reação do ex-presidente ao STF. Além disso, há entre seus apoiadores a expectativa de que ele possa ter um desfecho semelhante ao de Lula, que conseguiu anular suas condenações ao obter a suspeição de Moro, recuperou seus direitos políticos e, posteriormente, foi eleito novamente presidente do país.
(Com informações da revista Veja)