A proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a imunidade tributária de igrejas e templos de qualquer religião avançou na Câmara dos Deputados. Na prática, o texto permite que essas entidades paguem menos impostos.
A proposta, de autoria do deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), ex-prefeito do Rio e bispo da Igreja Universal, foi aprovada nessa terça-feira (27) por uma comissão especial criada para discutir o texto. Antes de seguir para o Senado, a PEC ainda precisa passar por votações no plenário da Câmara.
Originalmente, o texto estendia a redução de impostos a entidades sindicais, instituições de educação e de assistência social sem fins lucrativos. Porém, o relator da comissão especial, deputado Dr. Fernando Máximo (União Brasil-RO), limitou o benefício às entidades religiosas.
Como é hoje
Entidades religiosas de qualquer culto, como igrejas, já têm direito a isenções tributárias. A medida é prevista na Constituição.
O texto constitucional diz que templos e igrejas não podem ser tributados – pela União, por estados e municípios – em bens e serviços que são considerados essenciais para o exercício de suas atividades, como os edifícios e veículos vinculados às entidades.
Na prática, isso significa que as igrejas são isentas, por exemplo, de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), Imposto de Renda (IR), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) e Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
Não há, porém, isenção sobre a contribuição previdenciária.
O que muda
A proposta aprovada pela comissão especial da Câmara diz que, além da imunidade para o que é essencial para exercer a atividade, as igrejas não poderão ser tributadas pelas aquisições de itens que são “necessários” para construir o patrimônio e à prestação de serviços das entidades religiosas.
Ou seja, isenta de tributação as compras de itens relacionados ao exercício das atividades das igrejas e necessários para que consigam exercer sua finalidade.
Essa isenção também valerá, se a PEC for aprovada, para bens e serviços utilizados na manutenção das entidades.
Isso significa que a imunidade poderá valer para tributos cobrados sobre a energia elétrica dos templos, para a compra de material de construção e, até mesmo, para microfones e caixas de som.
O impacto estimado da ampliação da imunidade, de acordo com o relator, é de R$ 1 bilhão anualmente.
Mudanças
Inicialmente, as entidades pagarão, com impostos, pelos bens e serviços abrangidos pela PEC. Somente depois poderão pedir devolução dos tributos pagos.
Segundo o texto, os valores dos impostos serão devolvidos por meio de créditos tributários, depositados em conta corrente. Uuma lei complementar vai definir como funcionará a devolução e as condições necessárias para a isenção desses tributos.
Ficará a cargo do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) — e, posteriormente, o Comitê Gestor do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) — definir regras para unificar entendimentos a respeito dessa imunidade em todo país.
Interesses
Segundo Crivella, a proposta tem o objetivo de assegurar um único entendimento a respeito da imunidade tributária das igrejas, evitando discussões judiciais e regras divergentes pelo país.
O deputado, que é bispo licenciado da Igreja Universal, também afirma que a ampliação da medida possibilitará que entidades religiosas tenham mais dinheiro em caixa.
Ficou de fora
Em negociação com a Casa Civil, o relator da PEC na comissão especial decidiu retirar a extensão do benefício a partidos, entidades sindicais e instituições de educação e de assistência fiscal sem fins lucrativos.
Segundo Fernando Máximo, a decisão foi tomada para evitar uma perda maior de arrecadação.
A medida, no entanto, valerá para organizações assistenciais e beneficentes ligadas às entidades religiosas, como creches, asilos, orfanatos e comunidades terapêuticas.
Próximos passos
Para passar a valer, a proposta ainda precisará passar por votações nos plenários da Câmara e do Senado.
Primeiro, a PEC tem de ser aprovada pela Câmara, onde serão necessários no mínimo 308 votos, em dois turnos de votação. No Senado, são necessários os apoios de, no mínimo, 49 senadores, em dois turnos de votação.
Após aprovada, a proposta poderá ser promulgada pelo Congresso, ato que torna o texto parte da Constituição. As regras previstas no texto passariam a valer na data de publicação.