O Hezbollah é uma organização política e paramilitar fundamentalista xiita que atua na Faixa de Gaza e em vários países do Oriente Médio. Para Israel, o armamento avançado do Hezbollah o torna uma ameaça maior do que a de outros grupos apoiados pelo Irã, como o Hamas.
Muitos países, incluindo os Estados Unidos, o Reino Unido e a Alemanha, bem como os Estados do Golfo Pérsico e a Liga Árabe, rotularam todo o grupo como uma organização terrorista. Já a União Europeia e a França consideram apenas a ala militar do Hezbollah como tal. Hassan Nasrallah, líder do grupo, é considerado um terrorista internacional pelos Estados Unidos e, sendo assim, está sujeito a sanções norte-americanas.
O Hezbollah surgiu em 1982 como resposta à invasão de Beirute por Israel durante a guerra civil do Líbano. Os israelenses cumpriram o objetivo de expulsar combatentes palestinos do país, mas colheram como resultado um inimigo mais forte no Hezbollah.
O regime do Irã viu no grupo um aliado adequado por causa da mesma ideologia xiita e pela posição do Hezbollah no coração do mundo árabe. O país começou, então, a fornecer financiamento e treinamento ao grupo logo após a sua criação.
Desde então, o Hezbollah cresceu militarmente. Em 2000, as forças israelenses se retiraram do Sul do Líbano após um prolongado conflito com o grupo. Em 2006, o Hezbollah manteve suas posições em uma guerra contra Israel, quando o país tentou desarmá-lo.
A guerra de 2006 com Israel foi instigada por um ataque do Hezbollah na fronteira com o Líbano, no qual oito soldados israelenses foram mortos e dois sequestrados. O combate resultante causou a morte de 121 militares e 49 civis israelenses. Do outro lado, morreram cerca de 270 integrantes do Hezbollah, além de 50 soldados e policiais libaneses. Cerca de 1.200 pessoas no Líbano, principalmente civis, morreram na resposta israelense.
Ao longo da última década, o Hezbollah tem tido um papel cada vez mais ativo na região, incluindo Iraque e Iêmen. O compromisso militar estrangeiro mais significativo do grupo foi na Síria, onde milhares de extremistas foram destacados para defender o regime de Bashar al-Assad.
Durante a guerra civil da Síria, o grupo interveio com sucesso em nome do ditador e ajudou a reforçar as suas defesas após ele ter reprimido com violência uma revolta popular. Na época, a influência política do grupo extremista parecia estar em uma ascendente sem interrupção, apesar de uma aposta interna (apoiada pela Arábia Saudita) de frear seu poder, que se estendia rapidamente para além do Líbano.
Líder impetuoso e carismático, Nasrallah raramente aparece em público desde a guerra de 2006 com Israel, aparentemente por medo de ser assassinado. Na reunião de aniversário de 40 anos do grupo, no ano passado, ele fez seu discurso comemorativo por vídeo. Nasrallah usa regularmente linguagem inflamatória contra os Estados árabes do Golfo, particularmente a Arábia Saudita.