Quinta-feira, 03 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 2 de abril de 2025
A esclerose múltipla é uma enfermidade neurológica, crônica e autoimune, em que as células de defesa do organismo atacam o próprio sistema nervoso central, provocando lesões cerebrais e medulares. A doença atinge ao menos 40 mil brasileiros e pode comprometer os sistemas visual, sensitivo, motor e de coordenação.
De acordo com a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem), ela não tem cura e o tratamento consiste em atenuar os sintomas e desacelerar a progressão da enfermidade, que geralmente acomete jovens adultos, principalmente mulheres entre 20 e 40 anos — nesta semana, a modelo Carol Ribeiro, de 45 anos, revelou conviver com a doença.
“Eu achava que iria enlouquecer”, afirmou Carol, que de início pensou se tratar da chegada da menopausa.
Por que a doença se manifesta? Segundo a Abem, a perda de mielina, substância que contribui para a condução dos sinais nervosos entre os neurônios, leva a uma interferência na transmissão dos impulsos elétricos e isso produz os diversos sintomas da doença.
Com a desmielinização, ocorre um processo inflamatório que culmina no acúmulo de incapacitações neurológicas. Os pontos de inflamação evoluem para a formação de cicatrizes no sistema nervoso central (esclerose significa cicatriz).
Como é feito o diagnóstico? Não há exames específicos para esclerose múltipla. O diagnóstico depende da exclusão de outras patologias que podem produzir sinais e sintomas semelhantes.
Em sua avaliação, o neurologista levará em conta critérios como múltiplas lesões no sistema nervoso central, e solicitará a realização de exames como a ressonância magnética do crânio.
Quais são os sintomas mais comuns? A esclerose múltipla pode se manifestar por diversos sintomas, a depender da região do cérebro afetada. Algumas manifestações mais frequentes são:
– Fadiga – cansaço intenso e momentaneamente incapacitante;
– Alterações fonoaudiológicas – palavras arrastadas, voz trêmula, alteração da voz ou dificuldade para engolir;
– Transtornos visuais – visão embaçada ou visão dupla;
– Problemas de equilíbrio e de coordenação – perda de equilíbrio, instabilidade ao caminhar e falta de coordenação;
– Espasticidade – rigidez de um membro ao movimentar-se;
– Transtornos cognitivos – dificuldade para memorizar e executar tarefas;
– Transtornos emocionais – sintomas de depressão e de ansiedade;
– Sexualidade – disfunção erétil nos homens e diminuição de lubrificação vaginal nas mulheres.
Como é o tratamento? De acordo com a Abem, os tratamentos medicamentosos disponíveis para a doença buscam reduzir a atividade inflamatória e os surtos ao longo dos anos, contribuindo para a redução do acúmulo de incapacidade durante a vida do paciente.
No caso de Carol, por exemplo, houve uma grande melhora desde o início do acompanhamento. “Depois que comecei o tratamento, eu não sinto mais nada, é como se a doença não existisse mais”, relatou.
Além das terapias de neurorreabilitação, existem terapias de apoio que podem auxiliar no tratamento do paciente, aumentando a qualidade de vida. Entre elas estão o acompanhamento psiquiátrico e com urologista. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.