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Escolhido por Lula para ministro da Saúde, Alexandre Padilha diz que reduzir o tempo de espera no SUS será “obsessão”

O futuro ocupante do posto elogiou Nísia, a quem chamou de "defensora do SUS e cientista competente". (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Escolhido por Lula para o Ministério da Saúde, Alexandre Padilha afirmou que terá como “obsessão” reduzir o tempo de espera no SUS. Ele foi à sede da pasta nessa quinta-feira (27) para iniciar a transição com Nísia Trindade, demitida do posto de ministra pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Tenho certeza absoluta que a partir de agora a minha dedicação será cumprir o desafio que o presidente Lula estabeleceu. Será uma obsessão minha, enquanto ministro, enquanto médico, enquanto profissional, e obsessão do presidente Lula, reduzir o tempo de espera para quem procura e quem precisa de atendimento de saúde no nosso País”, disse Padilha.

O futuro ocupante do posto elogiou Nísia, a quem chamou de “defensora do SUS e cientista competente”. A troca ocorreu diante da avaliação de Lula de que o ministério precisa entregar mais resultados, especialmente diante da queda na popularidade do presidente. Padilha vai deixar o ministério das Relações Institucionais para ocupar o novo cargo. O sucessor dele ainda não foi anunciado, mas Lula disse que já definiu o nome.

Novo mandato

Padilha deve abrir mão de disputar um novo mandato de deputado federal em 2026 para concluir a missão passada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de transformar o programa Mais Especialistas em uma marca deste terceiro mandato do petista.

A possibilidade de Padilha abrir mão de concorrer foi abordada nas conversas com o presidente nos últimos dias. Caso decidisse tentar um terceiro mandato na Câmara, Padilha, que é deputado desde 2019, teria que deixar o governo em abril do ano que vem, ficando apenas um ano no novo cargo.

A dificuldade de implantar na sua plenitude o Mais Especialistas foi o principal fator de desgaste que levou à demissão de Nísia Trindade na terça-feira (25). Lula quer o programa reduza o tempo de acesso a consultas e exames no SUS. Há descontentamento do presidente até com o fato de não ter sido encontrado um nome para a iniciativa que possa ter apelo popular.

Na sua passagem anterior pelo Ministério da Saúde entre 2011 e 2014, durante o governo da presidente Dilma Rousseff, Padilha implantou o programa Mais Médicos, que tinha o objetivo de suprir a carência de médicos nas cidades do interior e nas periferias das grandes cidades.

O programa enfrentou críticas, principalmente por causa da contratação de médicos cubanos. Médicos brasileiros e entidades representativas da classe consideraram a iniciativa uma ameaça à qualidade da medicina no País. O governo, por outro lado, argumentava que os médicos passavam por treinamentos específicos e eram qualificados de acordo com os critérios do programa.

O programa se tornou uma vitrine do PT e foi reembalado pela atual gestão de Lula, em um novo formato, desta vez sem estrangeiros. O entendimento no governo hoje é que o Mais Médicos foi um caso de sucesso e hoje tem a sua marca consolidada. (O Globo)

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