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Porto Alegre Evento em Porto Alegre celebra nesta quarta-feira os 160 anos de nascimento do escritor gaúcho Simões Lopes Neto

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Pelotense é autor de clássicos da literatura regionalista. (Foto: Arquivo/O Sul)

Em atividade alusiva aos 160 anos de nascimento do gaúcho João Simões Lopes Neto, a Secretaria de Estado da Cultura (Sedac) realiza às 18h desta quarta-feira (26), em Porto Alegre, uma conversa sobre vida e obra do autor de clássicos da literatura regionalista gaúcha. A atividade tem como local o Memorial do RS, que devido a obras em seu prédio (na Praça da Alfândega) está temporariamente sediada na Casa de Cultura Mario Quintana.

Para a condução do encontro está escalada a professora Heloísa Netto, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), pesquisadora e especialista no assunto. A atividade é aberta ao público e com entrada gratuita.

“O evento é uma oportunidade para os admiradores da literatura gaúcha aprofundarem seus conhecimentos e refletirem sobre a importância de Simões Lopes Neto na construção da identidade cultural do Rio Grande do Sul”, ressalta o texto de divulgação no site cultura.rs.gov.br.

A professora

Heloísa Netto graduou-se em História e em Letras – Língua Italiana e Literatura de Língua Italiana pela UFRGS. Pela mesma instituição, obteve os títulos de doutora e mestre em Letras e Literatura Brasileira. Realizou estágio pós-doutoral em Estudos de Tradução na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Ela recebeu bolsa de estudos da Università Ca’ Foscari de Veneza, na Itália, e desenvolve pesquisa na área de História do Rio Grande do Sul (séculos 18 e 19). Atua como professora de Literatura Sul-Rio-Grandense no curso de Especialização em Literatura Brasileira. Ambos também na UFRGS.

Saiba mais

Reconhecido como um dos maiores talentos da literatura regionalista brasileira, o pelotense Simões Lopes Neto (1865-1916) é autor de clássicos como “Contos Gauchescos” e “Lendas do Sul”, que ajudaram a imortalizar a figura do gaúcho no imaginário nacional. A forma e conteúdo de sua escrita continuam a influenciar gerações de leitores e estudiosos, dentro e fora do Estado.

Ele era membro de uma tradicional família pelotense, e possuía ancestrais portugueses, de origem tanto açoriana como continental, tendo ambos os seus antepassados emigrado para o Brasil em busca de melhores condições de vida.

Com 13 anos, estudou no famoso Colégio Abílio, do Rio de Janeiro. Ao retornar, fixou-se em sua terra natal, Pelotas, cidade então rica e próspera pelas mais de cinquenta charqueadas que formavam a base de sua economia.

Apesar de gostar da vida campeira, foi o prazer das palavras que mais o atraiu. Começou a escrever em 1888. Primeiro, no jornal “A Pátria”, depois no “Diário Popular” (no qual escreveu “Balas de Estalo”, comentários satíricos sobre a sociedade pelotense, em forma de versos) e “Correio Mercantil”.

Foi, porém, um homem múltiplo também em seus projetos: envolveu-se em uma série de iniciativas de negócios que incluíram uma fábrica de vidros e uma destilaria, além de uma fábrica de fumos e cigarros, seguida por uma firma de torrefação e moagem de café. Fundou, ainda, uma mineradora para explorar prata em Santa Catarina.

Casado e sem filhos, se alistou em 1893 no 3 Batalhão da Guarda Nacional quando eclodiu a Revolução Federalista no Rio Grande do Sul. De outubro e a dezembro daquele ano, publicou em forma de folhetim no “Correio Mercantil” o poema em prosa “A Mandinga”. O texto é apresentado sob o nome de “Serafim Bemol” e em parceria com Sátiro Clemente e D. Salustiano – coautores de existência questionada por historiadores, que consideram os autores uma criação do próprio escritor.

O autor lançou mão desse pseudônimo em suas obras seguintes, nas quais se lançou como dramaturgo: “O Boato”(1893/1894), “Os Bacharéis” (1894), “Mixórdia” (1894/1895), “O Bicho” (1896), “A Viúva Pitorra” (1898) e “A Fifina” (1899).

Empobrecido pelos fracassos empresariais, o escritor entrou na década de 1910 em plena atividade intelectual, escrevendo conferências, dando aulas e viabilizando a publicação de seu primeiro projeto na recolha de folclore, o Cancioneiro Guasca. Para sobreviver, foi trabalhar como redator remunerado em jornais como “A Opinião Pública”.

Foi nesse período em que publicou suas obras maiores: “Cancioneiro Guasca” (1910), “Contos Gauchescos” (1912),
“Lendas do Sul” (1913) e “Casos do Romualdo” (1914). Mas também coincide com o surgimento de uma úlcera duodenal que causaria sua morte, em 1916, com 51 anos.

(Marcello Campos)

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