Neste sábado (05), a exposição Mbyá Guarani tem início e seguirá até o dia 20 de abril, em uma tenda-galeria ao lado do Monumento ao Expedicionário, no Parque Farroupilha, em Porto Alegre. A entrada para a exposição será livre e gratuita.
Haverá uma fala do cacique, do joalheiro Cony e do historiador João Batanolli, às 10h30min, e depois terá uma apresentação do coral com crianças da aldeia Tekoá Jataí´ty, uma das mais antigas do Rio Grande do Sul.
O projeto é de muita importância para valorizar a cultura ancestral do artesanato tradicional Guarani e também para auxiliar no aumento de renda dos artesãos participantes.
Joalheiro e escultor, Cesar Cony, junto a um grupo de artesãos e artesãs da aldeia Tekoá Jataí’ty, mesclam pedras preciosas, prata, esculturas de animais em madeiras de erva-mate e corticeira, fibras de taquara, latão e ferro em exposição que surpreende pela proposta de intervenções recíprocas e pela busca da comunicação entre memória e artes visuais.
A exposição reúne 33 obras na tenda das 9h às 17h. Dois dias antes de encerrar o evento, em 19 de abril, é celebrado o Dia dos Povos Indígenas.
A escultura de uma água de quase um metro de altura, esculpida em madeira de erva-mate e espatulada a ferro quente, com olhos moldados em citrino, bico e crista de latão envernizado e pedras de zircônia no peito, faz parte das 33 obras da exposição. A obra é inédita no Brasil e marcada pela originalidade, a produção coletiva entre o escultor e joalheiro Cesar Cony e artesãos e artesãs da aldeia Tekoá Jataí’ty.
Transformando memórias e patrimônio histórico em arte, Cony se lançou em um novo projeto para uma troca de vivências e de intervenção artística. Serão 17 esculturas de animais esculpidas em madeira de erva-mate e corticeira pelos artesãos da aldeia –– são águias, jacarés, tucanos, onças, tamanduás, passarinhos, corujas e capivaras em diversos tamanhos.
Segundo os artesãos, o artesanato Guarani representa a conexão natureza e espiritualidade, revelando uma crença e uma cadeia de sabedoria, mas essa compreensão ainda não foi assimilada pela sociedade. “Fora do território da aldeia o artesanato indígena não é visto por sua potência criativa e espiritual, somente como mero souvenir. Despertar uma nova percepção sobre a cultura dos povos indígenas é o objetivo deste projeto construído ao longo de um ano”, diz Cony.
Convictos sobre a importância de fortalecer sua produção artística – principal fonte de renda dos Guaranis – os artesãos e artesãs não hesitaram na decisão de ingressar no projeto.
“Os animais têm um papel protetor em nossas vidas, uma conexão espiritual e simbólica, como ensinado por nossos antepassados. A representação dos bichos em madeira é um meio de preservação e de manter essa relação”, explica Vherá guyra (Jaime Valdir da Silva), presença-chave no projeto coletivo. “Mas para os juruás (homens brancos) a ancestralidade é desvalorizada. Então, comercializamos mais como uma peça bonita e não pelo que significa.”
“Mesmo diante de todo conjunto de dificuldades de sobrevivência em que estão inseridos, fruto de um processo secular de perseguição, extermínio e invisibilidade, o Mbyá Guarani conserva sua língua e sua visão de mundo, crenças e valores. Vivem de pequenas roças, como faziam há séculos e da venda de artesanatos que expressam muito de sua cosmologia. No trançado de suas cestarias traduzem os fios que tecem o universo, a vida e seu destino. Cada dia é dia de sobrevivência, resiliência, resistência e sempre de sabedoria”, explica o professor e historiador João Batanolli.
Para garantir acessibilidade, ao lado de cada trabalho haverá QR-Codes com audiodescrição para PcDs (pessoas com deficiência). As visitas orientadas e tátil devem ser agendadas e estarão sob a responsabilidade da Mil Palavras, empresa especializada em acessibilidade. A exposição também está aberta à visitação de escolas.
Após a passagem por Porto Alegre, a exposição será exibida de 24 de abril a 18 de maio no Centro Municipal de Cultura Dr. Henrique Ordovás Filho, em Caxias do Sul.
Significado dos animais para o povo Mbyá Guarani
Águia – Significa coragem e força, uma visão de manter e lutar pelo território.
Cobra – É quem mostra o caminho, o cuidado que o Guarani precisa ter onde vai pisar.
Onça – Símbolo muito forte para o povo Mbyá. Ela é um guardião da natureza e proteção dos espaços.
Coruja – É o mensageiro, avisa, à noite.
Tamanduá – Aponta o território. Com o rabo em formato de árvore (copa para baixo), mostra que a natureza é de paz.