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Política Felipe Neto se lança pré-candidato à Presidência; anúncio pode ser uma ação publicitária

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No vídeo, o influenciador também anunciou a criação de uma rede social. (Foto: Reprodução de vídeo)

Em um vídeo publicado nessa quinta-feira (3), o influenciador digital Felipe Neto se lançou pré-candidato à Presidência da República e anunciou que vai criar uma rede social.

Nos comentários, muitos usuários encararam as declarações como uma piada. “Primeiro de abril não foi ontem?”, escreveu um usuário. Outros ficaram na dúvida. “Olha… meu voto tem, mas é zoeira né?”, disse outra.

Procurada, a assessoria de Felipe Neto respondeu por mensagem de texto: “Em breve terá mais novidades e informações….. rsrs. Não posso falar nada, mas amanhã ao meio dia você saberá”.

Conforme o portal de notícias g1 apurou que o vídeo é, provavelmente, uma ação publicitária.

“Após esse período de profunda reflexão e estudos documentados no meu diário, que me acompanha desde o começo dessa jornada, eu anuncio a minha pré-candidatura à Presidência da República”, disse o influenciador.

No vídeo, Felipe Neto diz que baseia suas opiniões no “domínio da informação” e em seu anseio de ser o “guardião da verdade”. E que construiu um “legado financeiro e na comunicação” que já “alimenta o estômago e o ego”.

“Eu quero ser presidente porque eu, embora seja um homem de fora da política, eu tenho ao meu lado a maior arma do nosso tempo: o uso das redes”, disse. “Então, por que não usar a dependência das redes a favor do povo?”

Nova rede 

Segundo o vídeo, a nova rede social de Felipe Neto seria chamada de Nova Fala e funcionaria como um “ministério da verdade”, termo do livro “1984”, de George Orwell, em que o passado era alterado conforme a conveniência do governo.

O influenciador afirma que os usuários iriam passar voluntariamente os seus dados que dariam a ele um panorama das reais necessidades do Brasil.

“No mínimo, ela ajudaria a gente a entender qual é a opinião da maioria sobre cada momento da história. E aí, os livros didáticos retratariam a vontade da maioria, como deve ser numa democracia”.

Referências

Quem viu o vídeo em que Felipe Neto anuncia uma possível pré-candidatura a Presidência da República pegou várias referências ao livro 1984, sim, aquela obra que inspirou a criação do programa Big Brother. Inclusive, atrás do influenciador, é possível ver uma imagem semelhante a capa do livro.

No clássico, Orwell descreve uma distopia em que todo cidadão está sendo vigiado pelo “Grande Irmão” (“Big Brother”, em inglês), cercadas de “teletelas”, ou seja, aparelhos que seriam televisões, câmeras de segurança e microfones ao mesmo tempo.

Grande Irmão é um dos termos citados por Felipe Neto em seu vídeo, inclusive.

O Grande Irmão, no livro, é líder do partido político totalitário — o Ingsoc — que comanda a sociedade. Ao longo da ficção distópica, o slogan “O Grande Irmão está te observando” (The Big Brother is watching you”) é constantemente destacado. Ele estaria no dia a dia da “Pista de Pouso Número 1”, a antiga Grã-Bretanha, província na Oceania.

Nessa sociedade, o individualismo é perseguido e a liberdade de expressão é entendida como um “crime do pensamento”, julgado pela “Polícia do Pensamento”. Ao longo da história, conhecemos Winston Smith, membro do Partido Externo, que trabalha para o Ministério da Verdade, responsável pela publicidade e revisionismo histórico.

O Ministério da Verdade é outro termo citado por Felipe Neto em seu vídeo.

O trabalho de Smith é o de reescrever a história. Ou seja, ele edita jornais, artigos e revistas do passado com o objetivo de apoiar a ideologia do partido Ingsoc. Os documentos que não foram editados são sumariamente destruídos. Aos poucos, Winston passa a questionar o próprio trabalho e o papel dos indivíduos.

Aos poucos, os habitantes dessa sociedade passam a perder traços de sua identidade e não lembrar o que havia antes dali. Além disso, as referências que serviriam de base para contestar as ações do governo também são perdidas.

As ideias do livro de Orwell convergiam com conceitos como o de “panóptico”, de Jeremy Bentham, uma penintenciária ideal que permitiria a um único segurança visualizar todos os prisioneiros. Dessa forma, o receio de não saber se estavam sendo observados ou não levaria as pessoas a adotarem o comportamento desejado pelo vigilante.

Em 1975, com sua obra “Vigiar e Punir”, o autor Michael Foucault analisa esse e outros conceitos, criticando as diversas formas de vigilância e controle social. Ele defende que vivemos no que chama de sociedade disciplinar, convivendo com esses mecanismos naturalmente.

Outros autores como o professor Eugenio Bucci, em seu livro “Videologias” (2004), questionaram o papel controlador da televisão, que à época da publicação, determinava o que o cidadão veria, o expondo a cenas de violência policial e agressividade que poderiam gerar desejos de vingança, por exemplo.

O vídeo de Felipe Neto ainda tem a referência a Nova Fala, que seria sua nova rede social. No entanto, esse é o idioma fictício criado pelo governo totalitário na história. (Com informações do portal Terra)

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