O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se reuniu, nessa segunda-feira (24), com os economistas que participaram da elaboração do Plano Real, que completa 30 anos em 2024. A visita ocorreu no apartamento de FHC, em São Paulo.
O encontro foi divulgado nas redes sociais da Fundação Fernando Henrique Cardoso. Participaram do bate-papo Pérsio Arida, economista envolvido na elaboração do Plano Real; Pedro Malan, então ministro da Fazenda de FHC; e Gustavo Franco, então presidente do Banco Central (BC) em 1994, ano de implementação do plano.
Implementado no governo de Itamar Franco, o Plano Real tratou-se de uma série de medidas para combater a hiperinflação do país. Com ele, o País criou uma nova moeda, o real – que começou a entrar em circulação em 1º de julho de 1994.
Para ilustrar, à época, a inflação estava em 40% ao mês (ou três mil por cento ao ano) no Brasil. Os preços subiam sem parar como, por exemplo, o valor da gasolina, alimentos, prestações, roupas, entre outros produtos e serviços.
Na segunda, por volta das 15 horas, a Fundação FHC promoveu um debate com os responsáveis pela construção do Plano Real. Estarão presentes os economistas André Lara Resende, Arminio Fraga, Edmar Bacha, Gustavo Franco, Pedro Malan e Pérsio Arida.
A Fundação FHC (Fernando Henrique Cardoso) reuniu na tarde desta 2ª feira (24.jun.2024) os economistas que participaram da elaboração e da implementação do Plano Real, que completa 30 anos em 1º de julho em 2024. O evento não contou com a participação de FHC.
A ausência do ex-presidente foi mencionada por participantes. O ex-chefe do Executivo tinha um encontro marcado nessa tarde com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva . Adversários nas eleições presidenciais dos anos 1990, o tucano declarou apoio a Lula em 2022.
O petista teria feito uma visita de 35 minutos ao ex-presidente FHC no fim da manhã desta segunda-feira, em São Paulo, após uma rodada de visitas pessoais. Lula chegou ao apartamento do ex-presidente, em Higienópolis, região central, às 12h15.
30 anos
O real foi a moeda criada na gestão de Itamar Franco (1992-1995) com o objetivo estancar a hiperinflação da economia. O Plano Real, do qual resultou a moeda, foi elaborado por economistas tucanos sob a coordenação política do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso – eleito presidente em 1994.
O plano desenvolveu-se em três fases a partir do 2º semestre de 1993. A inflação, que finalizou 1994 a 916%, atingiu 22% em 1995. O governo FHC instituiu o tripé macroeconômico, ainda vigente, de câmbio flutuante, superávit primário e meta de inflação.
Apesar de Fernando Henrique levar os louros nas urnas, os pais do real são os economistas André Lara Resende e Pérsio Arida, que inventaram a moeda fictícia URV (Unidade Real de Valor) – uma quase-moeda que preparou o terreno para a criação do real, e Edmar Bacha e Gustavo Franco, que implementaram o tripé macroeconômico. Pérsio Arida foi presidente do BC de janeiro a julho de 1995 e Gustavo Franco presidiu a autoridade monetária de 1997 a 1999. André Lara Resende é ex-presidente do BNDES e Bacha foi presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 1995.