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Impasse na Venezuela pode constranger o governo Lula

Lula diz que logo, logo Brasil chegará ao menor nível de desemprego da história nacional. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Uma das principais apostas do governo Luiz Inácio Lula da Silva para a política externa, a eleição presidencial na Venezuela caminha para um cenário incerto e que pode desembocar numa situação de constrangimento para a gestão petista. Todos os esforços de Lula para conciliar uma saída para o regime de Nicolás Maduro caíram por terra e, agora, há um temor crescente de que o pleito, previsto para o fim de julho, volte a acirrar o clima no continente.

A última investida de pacificação envolveu, inclusive, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que tem se debruçado sobre o impasse. Há algumas semanas, Petro procurou o presidente brasileiro para saber se poderia contar com o seu apoio numa proposta para que tanto Maduro quanto o candidato da oposição, Edmundo González Urrutia, assinassem uma espécie de anistia política. Desta forma, qualquer que fosse o candidato vencedor, o outro lado teria imunidade.

Segundo informações do jornal Valor Econômico, ao ouvir proposta, Lula assentiu, o que foi crucial para que o presidente colombiano levasse a ideia à frente. A sugestão incluía também a realização de um plebiscito para que o próprio povo venezuelano chancelasse a anistia no pleito presidencial. Apesar de todo o esforço, segundo interlocutores, tanto Maduro quanto Urrutia não quiserem se comprometer e essa solução perdeu força.

O assunto é sensível porque há uma preocupação comum, ao Brasil e à Colômbia, com o alargado período entre a eleição venezuelana e a posse do novo presidente. Na prática, são quase seis meses entre os dois marcos. Em caso de ofensiva do vencedor contra o lado perdedor, isso pode respingar em toda a região, incluindo o Brasil, que tentou se cacifar como mediador da situação no país vizinho.

Essa não foi a única tentativa malsucedida de Lula para a crise na Venezuela. O presidente brasileiro também chegou a intermediar o contato com a União Europeia (UE) para que o bloco enviasse observadores para a eleição venezuelana – o que traria mais legitimidade ao resultado eleitoral. Como condição para permitir isso, Maduro pediu, por sua vez, a derrubada das sanções político-econômicas que a UE mantém contra o país sul-americano.

Ainda de acordo com o jornal Valor Econômico, Lula, então, tentou convencer a UE a aceitar tal pedido, mas ouviu que não haveria tempo hábil para essa operação, pois isso demandaria aprovações dos diversos países que compõem o bloco europeu. Ao levar a tréplica para Nicolás Maduro, o presidente brasileiro foi convencido, por fim, de que o imbróglio não teria um final positivo.

Além disso, há uma ala da gestão petista que defende que o Brasil alerte a Venezuela o quanto antes que – não importa qual seja o resultado do pleito – o governo brasileiro vai reconhecer o vencedor das eleições assim que a apuração for concluída, como forma de estabilizar a temperatura política.

No Ministério das Relações Exteriores, porém, essa sugestão ainda não estaria pacificada.

A todas essas tentativas, somam-se ainda os constrangimentos deixados pela impossibilidade de a oposição venezuelana concorrer com os nomes que pretendia inicialmente. Isso porque Corina Yoris, candidata à presidência indicada pela Plataforma Unidade Democrática (PUD), não conseguiu se registrar para o pleito dentro do prazo, fato que gerou repercussão internacional. Ela havia sido indicada para a disputa pela ex-deputada María Corina Machado, vencedora das prévias da oposição e que também foi tornada inelegível por 15 anos pela Justiça do país em 2023.

A decisão da Venezuela de barrar dois nomes da oposição chegou a gerar irritação de Lula, que demonstrou incômodo com essa situação em eventos públicos. Todos esses episódios acabam por enfraquecer um dos principais objetivos do governo petista neste terceiro mandato do presidente: auxiliar no fim da crise venezuelana para gerar unidade no grupo do Mercosul. As informações são do jornal Valor Econômico.

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