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Por Redação O Sul | 25 de agosto de 2016
O ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Sydney Sanches, que presidiu o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello em 1992, disse que o processo de impedimento de Collor foi “mais tranquilo” do que está sendo o da presidenta afastada Dilma Rousseff.
Collor foi acusado, em 1992, de ter cometido crime de responsabilidade ao utilizar cheques-fantasmas para o pagamento de despesas pessoais, como uma reforma na Casa da Dinda, residência em que mora em Brasília, e a compra de um Fiat Elba. O processo de impeachment foi instaurado em setembro daquele ano e, quatro meses depois, o Senado decidiu cassar os direitos políticos do ex-presidente, que já havia renunciado à Presidência da República.
“Sem dúvidas, o processo de Collor foi mais tranquilo. O tumulto neste processo da Dilma é muito maior. Lá, o povo estava a favor do impeachment, a imprensa estava a favor, a Câmara estava a favor e o Senado estava a favor. Basta dizer que, no Senado, houve pouquíssimos votos a favor do presidente”, lembrou Sanches.
“No caso Dilma, está sendo diferente, tanto na Câmara quanto no Senado. Há ainda o apoio do pessoal dos movimentos sociais e dos sindicatos. Há manifestações de ruas, resistência de aliados. No caso Collor, eram inexpressivas as manifestações em seu favor”, comparou o ex-ministro.
Com 83 anos de idade e prestando serviços de consultoria a escritórios de advocacia em São Paulo, Sanches vê também semelhanças entre os processos de Collor e Dilma. A principal delas é a dificuldade de relacionamento com o Congresso.
“Collor havia se indisposto com toda a classe política. Ele entendeu que não precisava de apoio da Câmara e nem do Senado, achava que tinha sido eleito com uma boa margem de votos e acreditava que não precisava de apoio. Se indispôs com muitos parlamentares, agia com arrogância”, opinou Sanches.
“A Dilma também tem esse estilo e, talvez, isso pese do mesmo modo que pesou no caso Collor. O parlamentar gosta de ser tratado com consideração, pois ele representa o povo também, não é só o presidente que representa”, completou. (AG)