Quarta-feira, 08 de janeiro de 2025
Por Redação O Sul | 16 de fevereiro de 2018
O presidente Michel Temer assinou, no início da tarde desta sexta-feira (16) decreto que estabelece intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Com isso, o Exército passará a ter responsabilidade sobre as polícias, os bombeiros e a área de inteligência do Estado. No entanto, ainda há dúvidas sobre como se dará essa intervenção. Veja, abaixo, perguntas e respostas:
O que é intervenção federal?
Não é o mesmo que uma intervenção militar. No caso do Rio, a intervenção federal será temática, quebrando a autonomia do governo estadual sobre a área da segurança pública, mas mantendo sobre as demais áreas. Com a publicação do decreto no Diário Oficial da União, o governo federal passa a responder por todos os atos que o interventor tomar. Em contrapartida, as ações do interventor, general Walter Braga Netto, não estarão subordinadas à aprovação do governador do Estado, Luiz Fernando Pezão (MDB). Por decisão do presidente Michel Temer (MDB), esse interventor é militar.
A medida já tomada alguma vez no país?
Desde 1988, como a promulgação da Constituição, nunca tivemos intervenção federal.
O decreto já está valendo?
O decreto passa a valer a partir desse sábado, após publicação no Diário Oficial da União. O governo federal, no entanto, diz que a intervenção já vale desde 13h30 desta sexta-feira, quando o decreto foi assinado.
Até quando o Estado do Rio ficará sob intervenção federal?
Até 31 de dezembro deste ano, no último dia do mandado do governador Luiz Fernando Pezão (MDB).
Quais são os próximos passos?
A Câmara dos Deputados e o Senado Federal precisam aprovar ou rejeitar o decreto em votações por maioria simples. Na Câmara, a análise deve ser feita nos próximos dias 19 ou 20 de fevereiro. Já no Senado, o texto deve ser avaliado entre os dias 20 e 21.
O que muda para o cidadão?
Ministros da área de segurança afirmaram que a população perceberá um sistema de segurança “mais robusto”, sem dar mais detalhes. “O cidadão perceberá sistema muito mais robusto de segurança. Haverá uma coordenação muito mais estreita, uma inteligência integrada. […] Não se descarta nenhuma forma de atuação. Como será feito, isso será definido a partir da estratégia em conjunto com as polícias, com a secretaria de segurança, com as Forças Armadas”, declarou o ministro da Defesa, Raul Jungmann.
Quem será o interventor?
O general Walter Souza Braga Netto. Natural de Belo Horizonte e integrante do CML (Comando Militar do Leste), no Rio, ele esteve à frente na organização de duas ações militares de segurança nacional, entre 2016 e 2017: a Olimpíada e a crise de segurança no Espírito Santo.
Ele vai responder ao secretário de segurança e ao governador?
Não. Na prática, ele terá o mesmo peso que o governador do Rio, mas será responsável apenas pela segurança pública do Estado. Como interventor, Braga Netto poderá trocar os comandos da Polícia Militar e Polícia Civil, por exemplo, e administrar a verba da secretaria de segurança.
Pode o interventor trocar o comando das polícias Militar e Civil?
Sim, ele terá pleno poder para trocar os comandantes de todas as unidades policiais que quiser, incluindo batalhões, delegacias, forças de elite e até mesmo o comando geral das corporações.
O que muda no patrulhamento da cidade?
O Comando Militar do Leste também respondeu que ainda não possui a informação.
Pode prender por quais motivos?
Homens e mulheres das Forças Armadas não detêm poder de polícia, afirmou o Ministério da Defesa. No entanto, assim como qualquer cidadão, caso haja um flagrante, os militares podem deter um suspeito e encaminhar à delegacia.
Como ficará a relação entre o Exército e a polícia?
Na teoria, devem trabalhar em conjunto. No entanto, polícias Militar e Civil estarão subordinadas a general do Exército.
E a corrupção policial e as milícias?
Especialistas apontam que a corregedoria das polícias vai funcionar normalmente. Para o ex-secretário de Segurança Pública do DF, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professor de sociologia da UnB (Universidade de Brasília), Arthur Trindade, o general Braga Netto pode tentar fazer um pente fino na corregedoria e acelerar os processos de policiais corruptos.
Quem vai julgar eventuais abusos das Forças Armadas?
De acordo com a lei federal 13.491, promulgada pelo presidente Michel Temer em outubro de 2017, crimes praticados por militares no exercício da função serão julgados por tribunal militar. Caso o suposto crime ocorra fora da função, o militar será julgado como qualquer outro cidadão, pelo tribunal comum.