Sexta-feira, 04 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 23 de setembro de 2018
Em entrevista à revista People, a atriz Jane Fonda falou sobre como lidou com o suicídio de sua mãe, Frances Ford Seymour, quando tinha apenas 12 anos.
“Se você tem um pai que não é capaz de aparecer, isso tem um grande impacto no seu senso de identidade”, falou Jane, que está promovendo seu novo documentário na HBO, o “Jane Fonda in Five Acts”. Frances tinha problemas psiquiátricos e ficou internada muitas vezes. Ela se suicidou quando estava em uma dessas instituições psiquiatras, aos 42 anos.
“Quando criança, você sempre pensa que é culpa sua, porque a criança não pode culpar o adulto porque ela depende dele para sobreviver. Leva muito tempo para superar esse sentimento de culpa”, continuou.
Em 2005, Jane começou a escrever seu livro de memórias, que se chama “My Life So Far”, que é dedicado a sua mãe. “Quando eu escrevi, eu dediquei à minha mãe porque eu sabia que, se eu fizesse isso, eu seria forçada a realmente tentar entendê-la”, contou.
Documentário
“Jane Fonda in Five Acts”, um documentário dirigido por Susan Lacy, mostra uma vida de polêmicas, tragédia e autoconhecimento.
“Trata-se da importância de ser corajosa e dar saltos de fé”, disse a atriz no tapete vermelho antes da exibição do documentário em Park City, Utah.
Também é “muito esperançoso porque mostra como uma pessoa que era um pouco vazia pode se tornar alguém que tem uma vida com propósitos e significativa”, contou Fonda. O filme mistura os relatos de seus amigos e ex-maridos, imagens de arquivo e a própria Fonda falando sobre sua vida, resultado de 21 horas de entrevistas.
Os primeiros quatro atos do filme são dedicados aos homens fundamentais de sua vida: seu pai, o ator e também vencedor do Oscar Henry Fonda, e seu ex-maridos Roger Vadim, Tom Hayden e Ted Turner.
No quinto ato emerge a verdadeira Jane, outrora uma jovem ingênua e hoje uma das mais influentes ativistas políticas nos Estados Unidos.
O documentário mostra a dor da atriz quando sua mãe se suicidou, os 30 anos sofrendo de bulimia e seus três casamentos. A parte “mais difícil sempre é falar das coisas que foram mais complicadas na sua vida, dolorosas, emocionantes (…)”, disse.
Nascida em 1937, em Nova York, Fonda alcançou a fama na década de 1960 como protagonista de “Descalços no parque”, ao lado do fundador do festival de Sundance, o ator Robert Redford. Sua carreira avançou mais em 1969 com “A noite dos desesperados”, de Sydney Pollack, e ela ganhou o primeiro de seus dois prêmios Oscar com “Klute: o passado condena” (1971), de Alan J. Pakula.
Mas talvez ela seja muito mais lembrada por seus trabalhos anteriores, como “Barbarella” (1968), dirigido por seu ex-marido Roger Vadim.
O despertar político de Fonda ocorreu em Paris, onde viveu durante um curto período e viu os protestos em massa de maio de 1968 contra o governo de Charles de Gaulle.
O documentário também mostra seu papel como líder do movimento contra a Guerra do Vietnã, incluindo sua viagem a Hanói em 1972, quando causou indignação nos americanos ao ser fotografada com as tropas norte-vietnamitas.