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Brasil Juros do novo empréstimo consignado privado ficam acima do antigo e governo muda tom da comunicação

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O governo prevê para os próximos dias o lançamento de cartilhas e vídeos com a participação de influenciadores para educar a população sobre a tomada de empréstimo. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

As taxas de juros do novo consignado privado estão acima das praticadas na linha antiga, que exigiam convênios bilaterais entre os bancos e grandes empresas. Nos primeiro dias de funcionamento, os juros estão oscilando em uma faixa ampla, entre 3% e 6% ao mês, sendo que na modalidade anterior a média é de 2,9%.

Quando o produto foi lançado, a estimativa oficial do governo era que as taxas fossem 40% menores que as do crédito pessoal sem nenhum tipo de garantia (6,1%), ou seja, perto de 3,7%.

Com a concessão acima do esperado, o governo Lula fez mudanças na comunicação do consignado privado e passou a alertar a população sobre altas taxas de juros cobradas pelos bancos. Além disso, ligou um alerta para a necessidade de campanhas de educação financeira para evitar o endividamento da população.

Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostraram que o programa liberou R$ 3,1 bilhões em empréstimos consignados para 500,1 mil trabalhadores. Na véspera, o balanço trouxe, pela primeira vez, a seguinte mensagem: “O Governo Federal recomenda atenção às taxas antes da contratação”. Mais abaixo, o texto dizia: “O Governo Federal reforça a orientação para que os trabalhadores comparem as taxas de juros antes de contratar um empréstimo, façam a operação com cautela e priorizem o uso do crédito para quitar dívidas”.

Fontes do mercado apontam que alguns fatores explicam que as taxas do novo consignado estejam acima das praticadas na linha antiga. Um deles é que, no modelo anterior, o produto estava disponível só para funcionários de empresas grandes, que têm um perfil de risco melhor. Agora, foram incluídas todas as faixas de trabalhadores. Outro motivo alegado é que o sistema ainda está muito no começo e a expectativa é que, depois que forem resolvidos alguns gargalos operacionais, as taxas caiam.

Além disso, quem começou a operar a linha nos primeiros dias foram fintechs e financeiras, que trabalham com público mais arriscado e tradicionalmente cobram taxas maiores. Assim, a lógica é que, quando os grandes bancos privados entrarem com mais vigor na modalidade, o juro médio deve diminuir.

Um integrante do governo disse que, até este momento, as taxas médias estão ficando acima de 3% ao mês porque a linha de crédito tem sido mais buscada por pessoas “negativadas” nos birôs de crédito.

O presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Isaac Sidney, disse que a preocupação do governo é “legítima” e explicou que as taxas cairão gradualmente. “A nova linha foi concebida para oferecer condições melhores em relação às taxas do consignado anterior e os bancos estão focados e empenhados para ofertar a nova linha em condições mais vantajosas”, afirmou. “Isso vai ocorrer.”

Sidney lembrou que a partir do dia 25 os bancos poderão ofertar a linha em seus canais próprios e, em junho, começará a funcionar a portabilidade das operações. “Tudo isso vai ajudar a convergir custos, riscos e taxas de juros menores”, disse.

Em julho deve entrar em vigor, conforme o cronograma do governo, a operacionalização que vai permitir o uso de 10% do FGTS como garantia.

O MTE parou de divulgar o número de simulações realizadas e não há menção a isso no comunicado desta semana. No fim de março, constavam 64,7 milhões de simulações feitas. No total, já foram firmados 501,3 mil contratos, com parcela média de R$ 350,11 e prazo médio de 18 meses. O valor médio do crédito concedido por operação é de R$ 6.284,45.

O ritmo de concessão do crédito consignado surpreendeu até mesmo os mais otimistas. “Em 20 anos do consignado anterior, a concessão de empréstimo totalizou R$ 40 bilhões. Em pouco mais de duas semanas, já há R$ 3 bilhões em empréstimos”, comparou uma fonte do alto escalão.

Por causa da alta procura, alguns grandes bancos, que só entrariam no programa a partir do dia 25 deste mês, anteciparam o ingresso. Números internos do governo indicam que Caixa e Banco do Brasil representam 60% dos empréstimos concedidos.

Nos últimos dias, no entanto, influenciadores digitais de finanças pessoais com milhões de seguidores passaram a postar vídeos alertando sobre o risco do novo consignado privado, devido aos juros elevados.

O governo prevê para os próximos dias o lançamento de cartilhas e vídeos com a participação de influenciadores para educar a população sobre a tomada de empréstimo. Conteúdo similar já foi feito na época do Desenrola, programa que foi voltado à renegociação de dívidas.

Chamado de “Crédito ao Trabalhador”, o programa estava sendo desenvolvido há mais de um ano pelo governo, mas foi divulgado em um momento de baixa popularidade do presidente Lula. Somado à isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil ao mês, é a grandes apostas ao projeto de reeleição do presidente em 2026. (As informações são do Valor Econômico)

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