Domingo, 06 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 1 de agosto de 2024
Como vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris esteve em um navio filipino no Mar do Sul da China e denunciou as tentativas chinesas de asseverar seu controle na região como “ilegais e irresponsáveis”. No Japão, ela reafirmou o apoio americano à autodefesa de Taiwan, para irritação das autoridades chinesas.
Por outro lado, em seu único e breve encontro com o líder da China, Xi Jinping, Kamala transmitiu uma mensagem mais amistosa e defendeu uma comunicação aberta entre os dois rivais.
Em quase oito anos como senadora e vice-presidente, Kamala Harris deixou entrever apenas poucos vislumbres sobre qual poderia ser sua marca como presidente para a tensa relação entre EUA e China. A estratégia para a China é uma das grandes dúvidas sobre as possíveis prioridades de sua política externa, enquanto seu adversário, o ex-presidente Donald Trump, promete intensificar a pressão comercial sobre Pequim como um marco de sua campanha.
O magro histórico em política externa sinaliza que uma Kamala presidente teria forte inspiração na cartilha do presidente Joe Biden, que retrata a China como um desafiante autoritário à supremacia dos EUA, segundo analistas em Washington e Pequim. Declarações anteriores de Kamala e o histórico de como votou quando senadora também indicam que ela tem preocupações com os direitos humanos e os cibercrimes na China, em contraste com o foco de Trump no comércio exterior.
O próximo presidente americano deverá herdar uma relação EUA-China que está em deterioração desde que Trump esteve no cargo, embora o relacionamento tenha mostrado sinais de estabilização após a reunião de cúpula em novembro entre Biden e Xi, em São Francisco. Na semana passada, no Salão Oval da Casa Branca, Biden disse que não é mais inevitável que a China supere os EUA, uma aparente referência à recente desaceleração econômica chinesa, o que poderia atenuar parte da ansiedade do Congresso americano quanto ao poder dos rivais.
Mesmo assim, as tensões bilaterais ainda são grandes, tendo em vista o apoio indireto da China à guerra da Rússia na Ucrânia, as demonstrações de força militar de Pequim na Ásia e o fato de os chineses dependerem cada vez mais de exportações, que ameaçam inundar os mercados internacionais.
Como presidente, Kamala provavelmente daria continuidade à ênfase de Biden em reforçar as alianças com o Japão, Coreia do Sul e outras potências regionais para conter o comportamento assertivo de Pequim, segundo Lily McElwee, pesquisadora especializada em China no Center for Strategic and International Studies, em Washington.
“Quase não há dúvidas de que as opiniões dela foram moldadas por sua função nos últimos anos”, disse McElwee, referindo-se ao treinamento prático e intensivo em assuntos internacionais que a vice-presidente teve por ocupar o cargo.
De acordo com McElwee, embora a hipotética presidente Kamala possa estar inclinada a dar mais ênfase aos direitos humanos ou às preocupações climáticas do que Trump, a cooperação com aliados, no estilo Biden, deverá continuar, não importa quem seja o próximo presidente. As informações são do jornal Valor Econômico.