Sábado, 22 de março de 2025
Por Redação O Sul | 7 de março de 2025
O resultado do PIB do ano passado ficou dentro do esperado pelos analistas.
Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilO presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou o crescimento de 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, apesar de o número ter sido pior do que ele próprio previa. O petista falou em diversos discursos recentes que a economia brasileira se expandiria 3,8% no ano passado.
Nesta sexta-feira (7), depois da divulgação dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o perfil do presidente no X, antigo Twitter, publicou imagem de uma notícia sobre o avanço de 3,4% na economia.
“PIB crescendo é mais emprego e renda na mão dos brasileiros e das brasileiras. 2025 é o ano da colheita”, afirmou o petista. Além disso, a postagem inclui um emoji de trevo-de-quatro-folhas.
Lula fez previsões nas últimas semanas sobre o crescimento da economia. “Quando é que a economia voltou a crescer acima de 3%? Quando eu voltei (à Presidência). Cresceu 3,2% em 2023 e vai crescer 3,8% em 2024?, afirmou em entrevista à TV Record de Santos, em 27 de fevereiro.
Três dias antes ele havia dado declaração semelhante. “Nós entramos no governo, a economia ia crescer 0,8% e cresceu 3,2%. No ano passado (2024), ia crescer 1,5%, vai crescer 3,8%”, disse em discurso em Rio Grande (RS).
O resultado do PIB do ano passado ficou dentro do esperado pelos analistas. As projeções variavam de alta de 3,3% a 3,6%, mas vieram um pouco abaixo da mediana das previsões, que era de avanço de 3,5%.
“Se pegarmos o período pós-pandemia, fechamos (2024) com quatro anos consecutivos de crescimento expressivo em relação ao nosso histórico. É um crescimento importante”, afirma Alessandra Ribeiro, diretora de macroeconomia e análise setorial da Tendências Consultoria.
No quarto trimestre, a economia brasileira avançou 0,2% na comparação com os três meses anteriores, num claro sinal de perda de fôlego. No período de julho a setembro, o País cresceu 0,7%. O resultado ficou abaixo da mediana das projeções (0,4%), mas dentro do intervalo das estimativas, que variava de alta de 0,2% a 0,8%.
“O resultado de 2024 foi o melhor ano em termos de taxa de crescimento desde o pós-pandemia”, afirma Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. “Mas, quando chega o quarto trimestre, temos a eleição do Trump e um pacote fiscal, que foi muito complicado. Em dezembro, começa a surgir uma sensação de que a desaceleração já aparece.”
A eleição de Donald Trump nos Estados Unidos provocou um grande aumento da incerteza com as expectativas sobre as medidas protecionistas. Os juros subiram pelo mundo, e o dólar se fortaleceu em relação a outras moedas. No Brasil, o cenário foi agravado porque o pacote fiscal apresentado pelo governo foi considerado tímido.
Em 2024, o roteiro da economia brasileira foi parecido com o de anos anteriores, com o crescimento surpreendendo positivamente. Em janeiro do ano passado, as projeções de alta para o PIB eram de apenas 2%.
Uma parte do resultado mais forte do que o esperado pode ser explicado pelos estímulos fiscais. Desde o início da atual gestão, o governo conseguiu um espaço para ampliar os gastos com a aprovação da PEC da Transição. Na virada de 2023 para 2024, autorizou o pagamento de precatórios, para encerrar o calote dado pela administração do ex-presidente Jair Bolsonaro. Houve ainda o impacto do reajuste real do salário mínimo.
“Foi um ano de crescimento cíclico forte e claramente acima do potencial brasileiro”, afirma Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners. “A indústria cresceu forte, os serviços cresceram forte.”
“Houve o pagamento de precatórios e aumento do salário mínimo. E numa época em que os juros estavam em queda. Essa combinação criou um momento positivo, que fez com que a taxa de desemprego caísse para os menores níveis da história e houvesse um crescimento real da renda”, acrescenta.
Pelo lado da oferta, a indústria avançou 3,3% no ano passado, e o setor de serviços cresceu 3,7%. A agropecuária recuou 3,2%.
Na ótica da demanda, o consumo das famílias registrou alta de 4,8% e o investimento avançou 7,3%. O consumo do governo subiu 1,9%. E, por fim, as importações (14,7%) cresceram mais do que as exportações (2,9%).