O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu a ministra da Saúde, Nísia Trindade e vai substituí-la pelo atual ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. É o início da reforma ministerial no governo.
A demissão de Nísia foi confirmada em uma nota oficial no início da noite dessa terça-feira (25). Padilha vai assumir o Ministério da Saúde em 6 de março. Até lá, Nísia permanece no cargo. Lula agradeceu à ministra pelo trabalho e pela dedicação.
Nísia foi a primeira mulher a presidir a Fundação Oswaldo Cruz e também a primeira a chefiar o Ministério da Saúde. Na Fiocruz, esteve na linha de frente durante a pandemia de covid. Ela é doutora em Sociologia, mestre em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro e graduada em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Ela estava no comando da Saúde desde o começo do terceiro mandato de Lula, em 2023.
O último ato público de Nísia como ministra foi no Palácio do Planalto: a assinatura de acordos para produção de vacinas, medicamentos e insulina. Toda a equipe de Nísia estava presente, e ela discursou por mais de meia hora. Começou pedindo orações e um minuto de silêncio pelo Papa Francisco e fez um balanço das ações na área de imunizações.
Segundo integrantes do governo, o presidente Lula decidiu substituir Nísia porque ela não atendeu à expectativa na gestão das vacinas, com avanço lento na cobertura e dificuldades para enfrentar o surto de dengue em 2024. Além disso, houve demora na implantação do programa de Medicina Especializada, para ampliar a oferta de consultas e exames no SUS. Esses integrantes do governo avaliam que o programa poderia se tornar uma marca do terceiro mandato de Lula, que enfrenta queda na popularidade.
O futuro ministro da Saúde, Alexandre Padilha, estava na Secretaria de Relações Institucionais – o mesmo cargo que ocupou entre 2009 e 2010, no segundo mandato de Lula. Padilha foi reeleito deputado federal pelo PT de São Paulo. Ele é médico infectologista pela USP, PhD em Saúde Pública pela Unicamp e professor universitário. Já foi ministro da Saúde no governo Dilma Rousseff. Nesse período, implantou o Mais Médicos, programa que teve como objetivo aumentar o número de profissionais na rede pública de saúde em regiões carentes.
Em uma rede social, Padilha disse que está honrado com a nova missão. Ele também falou que tem profunda admiração e carinho pela amiga Nísia e que ela “deixa um legado de reconstrução do SUS após anos de gestões negacionistas, que nos custaram centenas de milhares de vidas”.
Mas a transição mesmo, com as devidas posses dos nomeados, Lula deixou para depois do carnaval, assim como outras mudanças em sua equipe ministerial.