Domingo, 06 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 26 de novembro de 2022
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva vai entrar diretamente na negociação com os partidos para aprovação da PEC do Bolsa Família. Ele viajará até a Brasília nessa segunda-feira (28) para discutir com o Congresso o formato da proposta de emenda à Constituição da Transição (PEC) visando, sobretudo, espaço no teto de gastos para bancar despesas como o Bolsa Família.
Segundo a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, após reunião com Lula em sua casa em São Paulo, o presidente eleito irá insistir na PEC, cujo desenho vai depender das conversas com os líderes do Congresso, já que a resistência do Legislativo à proposta vem pressionando o partido a detalhar um plano B.
“Isso tudo que nós estamos discutindo em relação à PEC foi aprovado por 100% do eleitorado brasileiro: quem votou no presidente Lula e também quem votou em Bolsonaro, que precisa desse programa. Então, está aprovado pela sociedade brasileira. E tenho certeza que o Congresso Nacional terá sensibilidade, como uma casa de representação popular, para levar adiante a proposta”, disse.
Em Brasília, o coordenador dos grupos temáticos da transição, Aloizio Mercadante, disse que aprovar a PEC é a prioridade da equipe.
“Sobre eventuais alternativas – acho que não estão postas na mesa neste momento –, todo esforço está em relação a construir uma maioria e em uma urgência para aprovar no Senado e na Câmara”, afirmou Mercadante.
Lula ainda se recupera de uma cirurgia na garganta, mas participa diretamente das negociações.
Reforma tributária
Em meio à expectativa para o anúncio de quem será o futuro ministro da Fazenda, o presidente eleito Lula escalou Fernando Haddad para falar em seu nome com líderes dos principais bancos do país, em um encontro nesta sexta-feira (25), em São Paulo.
No discurso, Haddad disse que o futuro governo dará prioridade à reforma tributária e falou sobre os efeitos da PEC da Transição, sem dar ênfase à discussão sobre uma nova âncora fiscal que garanta equilíbrio das contas, considerada fundamental neste momento.
“Nós precisamos, então, recolocar nos trilhos o que – como é que se gera o Estado? Lembrando que nós já tivemos governos que bem geriram a coisa pública, governos que conseguiram produzir resultados expressivos do ponto de vista de crescimento, distribuição de renda, controle da inflação, controle da dívida, inclusive sem aumentar a carga tributária”, destacou Haddad.
Investidores avaliaram que faltaram sinais mais concretos de controle das contas públicas no discurso de Haddad e, no mercado, a reação foi rápida. O principal índice da Bolsa de Valores fechou em queda de 2,55%, e o dólar subiu e passou a marca dos R$ 5,40.