Quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025
Por Redação O Sul | 4 de maio de 2015
As previsões para a economia brasileira voltaram a piorar na semana passada. Os economistas do mercado financeiro baixaram sua previsão para uma retração de 1,18% no PIB (Produto Interno Bruto), ao mesmo tempo que veem um “encolhimento” ainda maior da economia brasileira em 2015 e estimaram uma alta maior da Selic, a taxa básica de juros. As previsões foram feitas na semana passada e divulgadas ontem pelo BC (Banco Central), que realizou pesquisa com mais de cem bancos.
A expectativa dos economistas é que a inflação oficial medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fique em 8,26% neste ano – na semana anterior, a taxa esperada era de 8,25% para 2015. Para 2016, a previsão para o IPCA ficou estável em 5,6%.
Maior patamar
Se confirmada, a projeção do mercado para a inflação de 2015 (de 8,26%) atingirá o maior patamar desde 2003, quando ficou em 9,3%. A expectativa oficial do governo federal para a inflação deste ano, divulgada recentemente por meio do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias, está em 8,2%. A equipe econômica informou, na ocasião, que está utilizando as previsões do mercado financeiro em seus documentos.
Alta do dólar
A alta do dólar e dos preços administrados – como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros – pressiona os preços em 2015, segundo economistas. Além disso, a inflação de serviços, impulsionada pelos ganhos reais de salários, segue elevada.
Retração
Para o comportamento do PIB neste ano, anteriormente, a estimativa de queda feita pelos economistas do mercado financeiro era de 1,10% em 2015. Caso a retração se confirme, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada diminuição de 4,35%.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território nacional, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia do país. Para 2016, o mercado manteve sua previsão de alta do PIB em 1%.
Crescimento
No fim de março, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informou que a economia brasileira cresceu 0,1% em 2014. Em valores correntes, a soma das riquezas produzidas no ano passado chegou a 5,52 trilhões de reais, e o PIB per capita (por pessoa) caiu a 27.229 reais. Esse é o pior resultado desde 2009 – ano da última crise internacional –, quando a economia recuou 0,2%.
Juros
Após o BC ter subido os juros para 13,25% ao ano na semana passada, o maior patamar em seis anos, o mercado passou a prever um aumento maior dos juros em 2015. A expectativa passou a ser de uma taxa de 13,50% ao ano no fim deste ano – o que pressupõe um novo aumento de 0,25 ponto percentual na taxa Selic em 2015.
A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. Pelo sistema de metas de inflação brasileiro, o BC tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados. Os índices mais altos tendem a reduzir o consumo e o crédito, o que pode contribuir para o controle dos preços.
Câmbio
Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2015 permaneceu em 3,20 reais por dólar. Para o término de 2016, a previsão dos analistas para o câmbio ficou estável em 3,30 reais por dólar.
A projeção para o resultado da balança comercial – resultado do total de exportações menos as importações – neste ano recuou de 4,17 bilhões de dólares para 4,02 bilhões de dólares de resultado positivo. Para 2016, a previsão de superávit comercial permaneceu em 9,95 bilhões de dólares. Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil subiu de 57 bilhões de dólares para 57,5 bilhões de dólares. Para 2016, a estimativa dos analistas para o aporte permaneceu estável em 60 bilhões de dólares. (Alexandro Martello/AG)