O micro-ônibus de turismo que tombou na rodovia Mogi-Bertioga, no litoral de São Paulo, e deixou uma mulher morta e pelo menos outro 34 passageiros feridos neste domingo (7), operava de forma clandestina, segundo informado pela Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp).
Segundo a nota enviada pela Artesp, o veículo da empresa Juli Wil Locadora Transporte e Turismo Ltda não possui registro junto à agência e estaria, portanto, operando de forma clandestina.
A Artesp ainda lamentou o acidente e frisou que mantém ações constantes de fiscalização em todo o Estado, visando coibir tanto o transporte clandestino quanto o irregular, que expõem os usuários a riscos por falta de segurança e ausência de documentação dos veículos e/ou por não honrarem a contratação de seguros.
Além disso, a Secretaria de Turismo de Bertioga informou que em consulta aos pedidos de autorização de entrada de veículos de Turismo na cidade, a placa do automóvel não consta na relação emitida até o dia 5 de novembro. Então, o veículo não tinha autorização para prestar serviços de turismo no município.
O acidente
Segundo informado pela Polícia Militar Rodoviária (PMR), o acidente aconteceu neste domingo, por volta das 5h16, na altura do km 86, na pista sentido Bertioga. O micro-ônibus de turismo havia saído de Guarulhos, na Grande SP, e seguia rumo a Bertioga. No entanto, durante a descida da serra, ao se aproximar de uma curva da rodovia, o motorista percebeu uma falha grave no sistema de freios.
O motorista disse aos policiais rodoviários que tentou reduzir as marchas, porém, não conseguiu e o veículo bateu contra a guia, invadindo a pista sentido Mogi das Cruzes. Em seguida, o micro-ônibus tombou na faixa da direita da rodovia.
Equipes do Corpo de Bombeiros, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e socorristas da Riviera de São Lourenço foram para o local para socorrer as vítimas. Uma mulher de 36 anos, identificada como Angélica Mesquita, morreu no local. Os demais passageiros foram levados para unidades de saúde da região.
Segundo a Prefeitura de Bertioga, 34 pessoas deram entrada no hospital municipal. Em entrevista, a diretora de Saúde do Hospital de Bertioga, Bruna Westin, informou que três vítimas ainda passam por atendimento, todas estáveis.
De acordo com a diretora, as outras vítimas foram atendidas e receberam alta, enquanto um caso mais grave, de uma criança de 2 anos, foi transferido para o Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande. “Das 34 vítimas, a grande maioria teve um quadro de escoriações leves, recebendo todo o atendimento no hospital. Cinco vítimas ficaram um pouco mais grave, dentre elas a criança de 2 anos, que foi transferida por necessidade de UTI pediátrica”, diz.
Segundo Bruna, as três pessoas que seguem internadas ainda não têm previsão de alta, mas não estão em estado grave e seguem na enfermaria. “É um quadro não gravíssimo, mas que requer realização de exames de imagem e laboratoriais, que justificam uma internação, então acredito que elas não permaneçam no hospital por um período longo. Entre as vítimas, havia um grande número de crianças e os demais em uma faixa etária jovem, entre 20 e 40 anos”, destaca.
O veículo, que pertence à Juli Wil Locadora Transporte e Turismo Ltda, foi destombado e retirado do local por volta de 12h30. De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que administra o trecho, por volta de 13h, havia três quilômetros de lentidão devido ao acidente, na pista sentido Bertioga.