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Em vez de negociar com o comando dos partidos, são os deputados e senadores que escolhem quem deve chefiar as diretorias regionais de órgãos federais

Estratégia desenhada na Secretaria de Relações Institucionais, de Alexandre Padilha, visa a conquistar aliados até dentro de partidos da oposição. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Ao abrir espaços no governo federal com a oferta de cargos de terceiro escalão para aliados do Congresso Nacional, os auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm seguido uma nova lógica. Em vez de negociar com o comando dos partidos, a divisão dos postos pelo País vem sendo feita por Estado, em conversas com as bancadas estaduais das siglas que apoiam o governo.

São os deputados e senadores que escolhem quem deve chefiar as diretorias regionais. A estratégia desenhada na Secretaria de Relações Institucionais, de Alexandre Padilha, visa a conquistar aliados até dentro de partidos da oposição, que embora no plano nacional se digam independentes, têm interesse em controlar cargos governamentais para distribuir benesses em seus redutos políticos.

Um dos alvos, por exemplo, é o Republicanos, no qual 26 dos 42 deputados da bancada federal já abriram conversas com o governo Lula. Apesar de o presidente da legenda, Marcos Pereira (Republicanos-SP), negar aproximação, parlamentares da sigla dizem que foram liberados para tratar de alianças individualmente.

A estratégia de negociar Estado a Estado, entretanto, gerou ruídos na base aliada. O PSD, por exemplo, reivindica cargos do Ministério da Pesca no Paraná, entregues a um antigo aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A lógica explica por que o governo negou a MDB, União Brasil e PSD a nomeação de cargos ao estilo “porteira fechada”, onde o partido escolhe todos os nomes de determinada pasta que está sob sua alçada. No Dnit, por exemplo, vinculado aos Transportes, do MDB, as diretorias regionais serão divididas ao sabor das bancadas regionais, e não serão de exclusividade de emedebistas.

O presidente da Câmara dos deputados, Arthur Lira (PP-AL), defendeu os partidos de centro, e garante que nunca pediu cargos ao presidente Lula.

“Partidos do centro existiram a vida toda. O Brasil, graças a Deus, não virou uma Argentina porque tem partidos de centro, que equilibram os extremos. Cada centrão tem suas características, e a nossa nunca foi de cargos, espaços. Não tivemos isso no governo anterior. Nunca falei em cargos com o presidente”, afirmou o presidente de Câmara.

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