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Por Redação O Sul | 23 de abril de 2017
Em poucas áreas a troca de guarda no governo foi tão nítida quanto no Ministério das Relações Exteriores depois que o presidente Michel Temer assumiu o comando do Palácio do Planalto. Escolhido para o comando da política externa, o PSDB reformulou os principais postos-chave do Itamaraty e diplomatas que estavam no ostracismo voltaram à ribalta.
As substituições começaram com José Serra, que deixou o Ministério das Relações Exteriores em fevereiro, e seguiram sob a batuta de Aloysio Nunes Ferreira.
Exemplos não faltam. O embaixador Marcos Caramuru de Paiva foi secretário de assuntos internacionais do Ministério da Fazenda no governo Fernando Henrique Cardoso e esteve à frente das negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) nas crises financeiras da gestão tucana. Fontes do Itamaraty contam que quando Celso Amorim assumiu o órgão impediu que Caramuru assumisse um posto na embaixada do Canadá, deslocando-o para a Malásia, e depois para o posto de cônsul-geral em Xangai. Caramuru então deixou a pasta e abriu a Kemu Consultoria. Serra o resgatou e o nomeou embaixador do Brasil na China, o maior alvo de expansão comercial brasileiro.
O embaixador Sérgio Amaral, ex-porta voz do governo FHC e seu ministro da Indústria e Comércio e ocupante de vários postos, inclusive em Washington, também estava no ostracismo. Era tido como exímio negociador. Foi um dos responsáveis pelo acordo entre Mercosul e Comunidade Andina.
Quando Lula assumiu, Amaral era embaixador do Brasil na França, mas foi substituído por Amorim. Decidiu se aposentar, voltou para a academia e prestou consultorias no setor privado. Amaral voltou para a linha de frente com Serra, que o nomeou embaixador do Brasil nos Estados Unidos. O diplomata Alexandre Parola, outro ex-porta voz do governo Fernando Henrique, voltou agora como porta-voz do presidente Michel Temer.