Segunda-feira, 31 de março de 2025
Por Redação O Sul | 28 de março de 2025
Van Hattem acusou a Corte de “chantagear a classe política inteira no Brasil”.
Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos DeputadosO deputado federal gaúcho Marcel van Hattem (Novo) fez ataques ao presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes. Ao defender anistia aos condenados pelos ataques do 8 de Janeiro, o parlamentar afirmou, no plenário da Câmara, Lula e Moraes são “cruéis” e “covardes” e que a Corte máxima do País abriga uma “organização mafiosa”.
“Lula é cruel. Alexandre de Moraes é cruel. Lula e Alexandre de Moraes são covardes. Aliás, digo mais, o que estão fazendo no STF hoje é coisa de mafioso. E não é só o Alexandre de Moraes por isso. A máfia depende de uma organização e a organização que está hoje no STF é mafiosa, colocando, inclusive, a faca no pescoço de várias outras pessoas”, disse o deputado.
Van Hattem acusou a Corte de “chantagear a classe política inteira no Brasil”. Ele ainda defendeu a instalação da CPI do abuso de autoridade mirando STF e Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o impeachment dos ministros.
“Esses criminosos e mafiosos que estão hoje no STF não merecem a toga que vestem. Na verdade, (eles) a desonram”, emendou.
Em novembro, a Polícia Federal indiciou o deputado federal por calúnia e injúria, depois que o parlamentar criticou o delegado Fábio Schor, também em um discurso no plenário da Câmara. Schor atuou em inquéritos que atingem o ex-presidente Jair Bolsonaro que tramitam no STF.
Interlocutores do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disseram recentemente que atualmente é “zero” a chance de o parlamentar pautar no plenário da Casa o projeto de anistia a condenados por envolvimento nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
A avaliação foi externada após parlamentares aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro terem reforçado a defesa do projeto, afirmando que o objetivo é aprovar o texto na primeira quinzena de abril. Dirigentes do PL têm buscado o apoio de outros partidos à proposta.
No entanto, de acordo com aliados de Motta, o presidente da Câmara entende que não há motivo para pautar agora o projeto. Além disso, avalia que, se pautar, sofrerá um desgaste na relação com o presidente Lula (PT), de quem tem se aproximado, inclusive, o acompanhado em viagens ao exterior.
O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), disse que o governo não vê “clima” na Casa para votar a proposta da anistia.
Guimarães diz entender que a Câmara deve se dedicar a pautas que, para ele, têm o interesse do país em sua aprovação:
“Eu acho que não tem clima para votar. É um erro querer levar esse debate agora ao plenário. Interdita o diálogo que está sendo feito com muita articulação entre o presidente da Câmara e os líderes partidários”, afirmou.
“O processo não foi concluído no Supremo, não é hora de empurrar isso na pauta, vai complicar, dificultar a discussão de projetos importantes para o país como a isenção do Imposto de Renda [para quem ganha até R$ 5 mil], além de outras pautas”.