Na Europa, Netflix, Amazon Prime e YouTube reduziram seu uso de banda da internet. A Globoplay fez o mesmo no Brasil. Para o consumidor, em essência, não será mais possível assistir à programação nas definições mais altas. As medidas não foram tomadas à toa. Com o aumento do home office, a internet residencial está engasgando em vários pontos do mundo.
No Reino Unido, os provedores sentiram um aumento de 20% a 30% do uso de banda. Na Itália, dobrou. Varia de acordo com quão severa é a quarentena, de país em país.
Há motivos. A infraestrutura de banda larga é local, está no bairro ou no quarteirão. Desta forma, a internet empresarial que chega aos prédios comerciais roda em cabos e servidores distintos daqueles que alimentam a banda larga residencial. Uma rede desenhada para ter picos com streaming em determinadas horas do dia não aguenta o excesso de videoconferências e videochamadas simultâneas todas as horas do dia.
Na maior parte das cidades americanas, não houve impacto — a infraestrutura é melhor. Mesmo naquelas onde a quarentena está mais rígida, como Nova York ou San Francisco, o declínio de velocidade é consideravelmente menor do que o detectado nas capitais europeias. Ainda é cedo para perceber grande perda no Brasil — mas a expectativa é de que ela ocorra.
Reunião
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) convocou uma reunião extraordinária para esta terça-feira (24) com o objetivo de avaliar o cenário brasileiro de consumo de internet e tráfego em redes digitais. A informação é do site Telesíntese.
Além de representantes das principais operadoras do país, a reunião terá a presença de empresas de streaming que consomem uma alta quantidade de banda — como Netflix — ou detectaram um crescimento considerável em acessos nos últimos dias, como serviços de Google e Facebook. Alguns sindicatos e associações que representam certos segmentos do mercado também foram convidados, assim como o NIC.Br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR).
Os participantes integram o comitê Gestão de Riscos e Acompanhamento do Desempenho das Redes de Telecomunicações, que vai monitorar e tomar decisões a respeito da qualidade da conexão no país e em diferentes serviços. Em um encontro realizado na última sexta-feira (20), Anatel e operadoras já haviam se comprometido a manter o Brasil conectado durante o momento de isolamento forçado e pandemia do novo Coronavírus.
Novo perfil
No encontro, as companhias que oferecem serviços online devem apresentar relatórios que indicam a mudança do perfil de consumo do usuário, seja por mais tempo livre ou por teletrabalho e aulas online. Além disso, devem ser levados em conta eventuais riscos que podem prejudicar a conexão no período, como queda de sistemas e necessidade de redução de velocidade em conexões.
A Netflix já estuda a redução da qualidade do streaming no País e até sofreu estabilidades recentemente. Já o Facebook notou um aumento considerável no uso dos seus mensageiros, inclusive para fazer videoconferências.