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Economia O Banco Central quer ver sinais mais evidentes de desaceleração do consumo antes de pensar em interromper o atual ciclo de alta dos juros

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Em ata, Copom sinaliza um novo aumento da Selic na reunião de maio. (Foto: Beto Nociti/BCB)

O Banco Central (BC) quer ver sinais mais evidentes de desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) antes de pensar em interromper o atual ciclo de alta dos juros. Esse é um dos principais recados da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta semana. O documento reforçou também que a Selic subirá novamente em maio, ainda que em “menor magnitude”.

“O comitê seguirá acompanhando a atividade econômica e reforça que o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”, diz trecho do documento.

Outro ponto importante foi a observação de que o cenário exige “restrição monetária maior e por mais tempo que em outros momentos” – o que indica que os juros podem subir mesmo depois da próxima reunião do colegiado, em maio.

“O cenário de convergência da inflação à meta torna-se mais desafiador com expectativas desancoradas para prazos mais longos e exige uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, disse o Copom.

Para a próxima reunião, a leitura principal do mercado por ora é de que a Selic subirá 0,5 ponto porcentual (ritmo mais brando do que o 1 ponto em cada uma das últimas três reuniões). Com isso, os juros atingiriam 14,75%, patamar mais alto do que o do pior momento do governo Dilma Rousseff.

De um lado, o BC diz estar preocupado com o efeito da dose cavalar de juros que já aplicou à economia – preocupação legítima, já que o controle da inflação deve se dar com o menor custo possível para o nível de atividade, incluindo o mercado de trabalho e os investimentos.

De outro, porém, reconhece que o cenário para a inflação “segue desafiador em diversas dimensões”. Por isso, indicou nova alta da Selic, em maio, mesmo já tendo elevado a taxa de 10,5%, em setembro, para os atuais 14,25%.

“O comitê acompanhará o ritmo da atividade econômica, fundamental na determinação da inflação, em particular da inflação de serviços; o repasse do câmbio para a inflação, após um processo de maior volatilidade da taxa de câmbio; e as expectativas de inflação, que apresentaram desancoragem adicional e são determinantes para o comportamento da inflação futura”, disse o BC.

Consumo

Sobre o ritmo de atividade, especificamente, o BC diz ver sinais ainda “incipientes” de moderação do crescimento, com a ressalva de que o PIB do primeiro trimestre deve vir forte, em função da safra agrícola. E enfatiza o fato de que o consumo das famílias teve uma primeira queda, após subir por 13 trimestres consecutivos.

O BC voltou a pontuar que o cenário é de elevada incerteza. Pelo lado externo, há as políticas já anunciadas pelo presidente americano Donald Trump, os riscos geopolíticos e, agora, o aumento de gastos com defesa na Europa, que podem pressionar as taxas de juros globais.

Internamente, houve novo recado de que as incertezas na área fiscal têm tido impacto sobre os preços dos ativos, particularmente do dólar, além de afetarem as expectativas dos agentes econômicos. Assim, o BC cobrou de novo que as políticas fiscal e monetária sejam “harmoniosas”.

O teor da ata teve um impacto positivo no mercado. Para a maioria dos analistas, a mensagem da ata veio ainda mais dura do que o comunicado divulgado depois da reunião, na semana passada.

O BC ainda deu três sinalizações à frente: disse que seguirá subindo os juros, e que o ciclo não está encerrado; que a alta será menor, em função de todo aumento já promovido; e que, como há incertezas, quer tempo para decidir os próximos passos.

Segundo analistas, não há dúvidas de que o BC tem seguido à risca o manual de política monetária. Olhar para o PIB faz sentido, já que a inflação de serviços só cairá com o arrefecimento do mercado de trabalho. Mas ponderam que a questão é se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de olho na eleição de 2026, aceitará a dose extra de juros altos, e por mais tempo. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)

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