Em uma Copa do Mundo marcada pela ausência de grandes seleções em suas últimas fases, a final entre Argentina e França quitou a dívida que o futebol tinha com o maior craque da atualidade. O Mundial do Catar será lembrado para sempre como aquele que Messi viveu na plenitude e, aos 35 anos, coroou sua história com o título que faltava.
“Esse foi o troféu que eu quis por toda a minha vida. Era o meu sonho de criança”, afirmou o camisa 10.
Depois da conquista eletrizante, em que marcou duas vezes, uma de pênalti, antes da disputa alternada no final, o craque avisou que este não foi seu último jogo com a seleção argentina, mas não estará na Copa de 2026. Portanto, se despediu dos Mundiais com uma atuação de gala, em um jogo que teve o tamanho que merecia.
Se não foi tão letal como Mbappé, Messi jogou o suficiente para fazer a Argentina sair na frente e nunca ficar atrás do placar, com um gol também na prorrogação. Nos pênaltis, iniciou as cobranças com toda a categoria que um líder e o melhor jogador do time precisam ter para passar confiança aos companheiros.
Como um bom drama argentino, o tricampeonato deu sinais de que poderia escorregar entre os dedos, mas Messi sempre estava lá. Ainda que tenha falhado na jogada que culminou com o gol de empate em 2 a 2 da França, o camisa 10 jamais abriu mão de ser o protagonista que sua equipe precisava.
O mundo então pôde ver um de seus gênios da bola levantar o troféu mais nobre. E se o futebol não é apenas sobre conquistas, mas principalmente sobre histórias, saboreou o gosto da redenção depois de 140 minutos de uma batalha épica, que terminou por consagrar o maior talento do nosso tempo.
Não faltou nada na noite mágica de Messi. Ele fechou os olhos por fração de segundo, respirou e bateu o pênalti que abriu o caminho do terceiro título da Argentina. Também teve uma atuação impecável coroada pelo gol da virada na prorrogação, e fechou sua conta ao bater o primeiro pênalti na disputa final e converter com categoria ímpar.
No vídeo que antecedeu a final, todos os campeões do mundo foram lembrados no telão do estádio, terminando com o antológico drible de Maradona em 1986, contra a Inglaterra, quando o eterno ídolo da Argentina ergueu o segundo troféu do país em Mundiais. Trinta e seis anos depois, Messi repetiu o mesmo gesto, que o faz ocupar de vez o panteão dos maiores jogadores da história, ao lado de Diego. Ainda abaixo de Pelé para os brasileiros, é verdade, mas já o maior deste século.
Um gol a mais que Pelé
Lionel superou uma marca relevante do Rei. Ao fazer mais dois gols diante da França, chegou a 13 na história das Copas, um a mais que Pelé. O líder é o alemão Miroslav Klose, com 16. Foram sete de Messi apenas no Catar, quatro de pênalti, terminando como vice-artilheiro, atrás de Mbappé, com oito.
Durante todo o Mundial, ele conduziu a Argentina sendo referência para os demais 25 fãs jogadores. E foi ainda mais decisivo na fase final, com gol em todas as etapas. Tanto que Scaloni brincou:
“Temos que guardar um lugar para ele no próximo Mundial. Podem ser 26 convocados, né?
Messi e a bola, uma relação que não termina com a Copa do Mundo. Seja no telão das próximas edições, seja na memória dos argentinos das novas e antigas gerações, ou sobretudo no universo infindável da internet. Talvez esse seja o grande legado que o camisa 10 argentino deixará. Desde sempre, foi unanimidade, extrapolou nacionalidades e clubismos. Uniu, enfim, o mundo do futebol em torno de sua imagem.” As informações são do jornal O Globo.