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Brasil Sérgio Moro quer seguir o modelo da Operação Lava-Jato no Ministério da Justiça

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Ex-juiz se cercou de delegados da Polícia Federal para cargos estratégicos, mas não definiu coordenadores de postos-chave, como Senasp e Coaf. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Desde que aceitou o convite para assumir o Ministério da Justiça, Sérgio Moro cercou-se de delegados da PF (Polícia Federal) para os cargos estratégicos e definiu as principais linhas de atuação para a pasta.

Diariamente presente no gabinete de transição do governo, em Brasília, o ex-juiz federal vem demonstrando que tratará como prioridade duas das principais bandeiras de campanha do presidente eleito: o combate à corrupção e a redução dos números da violência.

Os discursos e as nomeações até agora foram nesse sentido, tendo como modelo declarado o da Operação Lava-Jato, carro-chefe de sua carreira na Justiça Federal. A estrutura anunciada por Moro tem o objetivo central de mirar o combate à lavagem de dinheiro, tanto para crimes de corrupção quanto para tráfico de drogas, e, de outro lado, trabalhar em cima da integração entre policiais de todo o País.

Serão esses os principais pilares da próxima gestão. A estratégia do novo ministério será de asfixiar o crime organizado, atacando o patrimônio dos envolvidos. Os coordenadores de dois postos-chave, a Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), ainda não foram anunciados, mas devem vir de outros setores da administração pública.

O futuro da Funai (Fundação Nacional do Índio) ainda é incerto. Há uma discussão entre membros do governo eleito de onde o órgão deve ficar. A ideia tem gerado apreensão entre servidores da Funai, indigenistas, antropólogos e indígenas, que temem a transferência da fundação para alguma pasta controlada pelo agronegócio.

A criação de uma nova secretaria, de Operações Policiais Integradas, e a inclusão do Coaf ao Ministério da Justiça são algumas das ações de Moro no sentido das prioridades do governo – o Coaf atualmente está no guarda-chuva do Ministério da Fazenda.

A secretaria nova ficará com Rosalvo Ferreira, que foi superintendente da PF no Paraná durante toda a Lava-Jato. A opção por um policial federal foi tratada internamente como a mais lógica, para evitar que houvesse conflitos entre policiais militares e civis.

Além de secretarias, a pasta impulsionará a montagem de forças-tarefas para os assuntos mais importantes, concentrando esforços em temas específicos. Em entrevistas, o ex-magistrado também vem se posicionando sobre as missões que traçou. Referência da operação que prendeu políticos e empreiteiros em todo o Brasil, o ex-juiz tem como desafio mostrar que é capaz de dar conta dos problemas de violência.

Ao atacar um projeto de lei incentivado por alvos da Lava-Jato para afrouxar penas de corrupção, por exemplo, o futuro ministro fez questão de ser mais incisivo na questão da segurança pública. Ele criticou, por exemplo, a tentativa de se combater a superlotação nos presídios suavizando as condenações e falou também da necessidade da disciplina para os presos.

Na terça-feira (27), ele participou de reunião com representantes das Forças Armadas, que apresentaram dados da área. O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, publicou uma foto em seu Twitter, na qual também apareceu o general Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa do governo Bolsonaro.

Moro trabalhará para promover o Susp (Sistema Único de Segurança Pública), aprovado como lei no meio deste ano. O programa é tido como um legado deixado pelo atual ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, e foi criado para unificar policiais e os sistemas de segurança do País.

A maior das conquistas, segundo os criadores, é a da formação de um banco de dados nacional sobre criminalidade. “Conversei bastante com ele [Moro] sobre o assunto. Eu disse que o principal passo que deve ser dado para a promoção do Susp é a definição da estratégia para se cumprir a meta de redução de homicídios, de uma taxa de 3,5%”, afirmou Jungmann.

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https://www.osul.com.br/o-ex-juiz-sergio-moro-quer-seguir-o-modelo-da-operacao-lava-jato-no-ministerio-da-justica/ Sérgio Moro quer seguir o modelo da Operação Lava-Jato no Ministério da Justiça 2018-11-28
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