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Por Redação O Sul | 26 de agosto de 2019
A prefeitura de Porto Alegre, por meio da Smams (Secretaria Municipal do Meio Ambiente e da Sustentabilidade), divulgou nessa segunda-feira o termo assinado pelo Grupo Ambev para adotar a Praça Garibaldi, localizada na avenida Venâncio Aires, bairro Cidade Baixa. Por um período de 12 meses, a empresa assumirá os serviços diários de limpeza da área, de 7,4 mil metros quadrados e que está entre as mais antigas da capital gaúcha.
Isso inclui o recolhimento de lixo e execução de roçadas para corte de grama e remoção de entulhos. Em contrapartida, por assegurar os cuidados necessários para que esteja em condições adequadas de uso pela população, a Ambev poderá instalar um conjunto de placas de sinalização visual, de natureza institucional, sem exploração comercial.
Porto Alegre conta com aproximadamente 600 praças, além de seis parques, disponíveis para adoção por empresas ou pessoas físicas. Ao todo, 71 praças e três parques já foram adotados, o que gera uma economia de R$ 2,2 milhões aos cofres públicos por ano.
A iniciativa também contempla o interesse em logradouros, passarelas, canteiros, rotatórias, viadutos e pontes, passeios, fachadas de prédios públicos e monumentos. “Essa lei que traz segurança jurídica e incentiva as adoções foi sancionada pelo prefeito Nelson Marchezan Júnior em 15 de agosto”, ressalta a administração municipal. Interessados devem entrar em contato pelo e-mail programa_adote@portoalegre.rs.gov.br.
O local
Além da avenida Venâncio Aires, a Praça Garibaldi é delimitada pela Erico Verissimo e pelas ruas Lobo da Costa e José do Patrocínio, na divisa da Cidade Baixa com o Menino Deus. Sua história iniciou em 1873, quando o município adquiriu a grande área do Potreiro da Várzea, da qual fazia parte, para organização de um loteamento, preservando parte para constituição de um logradouro público.
Nessa época, a praça ainda fazia limite com o antigo leito do Arroio Dilúvio. Ainda sem urbanização, foi denominada Praça da Concórdia, cuja primeira menção é de 1884 em uma crônica de Felicíssimo de Azevedo incluída em seu livro “Cousas Municipais”. Mas a área de lazer só foi aparecer nos mapas oficiais da cidade em 1903, quando começou a ser ajardinada em função do início das obras de retificação do Arroio.
Desde a década de 1880 já se registravam solicitações para a construção nela de um mercado, que só viria a ser erguido também em 1903, junto da ponte do Riacho. Este mercadinho serviu como ponto de comércio de peixes e ao seu lado também foi construída uma escadaria para acesso e desembarque de mercadorias que chegavam pela via fluvial.
A sua denominação atual é estabelecida desde 4 de julho de 1907, ano do centenário de nascimento do militar e revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi (falecido em 1882). Nesse momento foram realizadas algumas benfeitorias, como a instalação de um gradil para proteção dos jardins. Em 1913 foi erguido o Monumento a Garibaldi.
Em 1931, o então prefeito Alberto Bins relatava que havia ordenado ampliação e reforma da praça, completando seu ajardinamento, aterrando o lado fronteiriço ao Arroio, drenando o local e colocando uma cerca, bem como aterrando e nivelando uma área adjacente no lado da atual rua Olavo Bilac com vistas à futura construção de uma área para esportes.
Com o progresso da retificação do Arroio Dilúvio foi criada uma nova fração no limite-sul, onde se levantou na década de 1960 um outro mercado, que não obstante teve vida curta, sendo demolido pouco depois para a execução do Projeto Renascença, de urbanização da antiga Ilhota e abertura da avenida Érico Veríssimo, o que veio a reduzir a extensão da Praça, obrigando ao transplante de algumas de suas palmeiras.
Atualmente o logradouro é fracamente urbanizado, contando apenas com passeios de saibro, uma pequena área de lazer infantil e algumas luminárias e bancos de descanso, além do já citado Monumento a Garibaldi. Também abriga, eventualmente, pessoas em situação de rua.
(Marcello Campos)