Sexta-feira, 04 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 26 de março de 2021
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), apresentou a embalagem da Butanvac em coletiva
Foto: Divulgação/Governo de SPO Intituto Butantan anunciou nesta sexta-feira (26) a criação da Butanvac, nova candidata a vacina contra a covid-19. O instituto já pediu autorização à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para iniciar os estudos clínicos em voluntários.
Na noite desta sexta, a Anvisa afirmou que recebeu o pedido do Butantan para realização de estudos de fase 1 e 2 da vacina Butanvac. O prazo para análise da Anvisa é de 72 horas, e a agência avalia, entre outros pontos, os dados de segurança obtidos nos estudos pré-clínicos.
A expectativa é de que, uma vez obtida a autorização, os testes possam começar em abril. Em maio, o Butantan iniciará a produção do imunizante. Os detalhes foram divulgados nesta sexta pelo governo de São Paulo em uma entrevista coletiva na sede do instituto.
Segundo Dimas Covas, o desenvolvimento da vacina começou há um ano. O imunizante foi desenvolvido com matéria-prima brasileira e utiliza tecnologia similar à usada na vacina da gripe.
“Essa vacina será integralmente produzida aqui, nós não dependeremos de nenhum insumo, da importação de nenhum insumo, é uma tecnologia que já existe. Essa tecnologia é a mesma que é usada para a produção da vacina da gripe”, explicou.
O pedido de autorização se refere às fases 1 e 2 de testes da vacina, nas quais serão avaliadas segurança e capacidade de promover resposta imune com 1.800 voluntários. Na fase 3, até 9.000 pessoas irão participar, e a etapa vai estipular a eficácia do imunizante brasileiro.
O objetivo é encerrar os testes e ter 40 milhões de doses da vacina prontas antes do final de 2021. Além do Brasil, a Butanvac também será testada no Vietnã e na Tailândia, onde a fase 1 já foi iniciada.
Tecnologia
Segundo Covas, a vacina é usada com um vírus inativado e produzida a partir de ovos embrionários, um método tradicional e utilizado para a produção da vacina da gripe. Além disso, segundo ele, a pesquisa já introduziu conhecimentos obtidos com a produção de outras vacinas.
“Nós já estamos falando de uma segunda geração de vacinas. Já é a vacina 2.0. Aprendemos com as vacinas anteriores e sabemos o que é uma boa vacina pro covid. Ela é mais imunogênica e, portanto, poderemos usar menores doses da vacina por pessoa. Com isso, o quantitativo de doses pode ser aumentado”, disse.
Segundo Covas, a vacina será produzida em consórcio. O objetivo é oferecer o imunizante para países pobres, sobretudo da África e da Ásia. Segundo ele, a expectativa é usar a vacina já no segundo semestre deste ano.
Atualmente, o Butantan é responsável pela etapa final de produção da CoronaVac, vacina desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac.
A partir do segundo semestre, o instituto dever nacionalizar a fabricação, com a término da construção da fábrica que será destinada ao imunizante. O instituto garantiu que o desenvolvimento da nova vacina não irá alterar o cronograma da CoronaVac.