Domingo, 06 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 14 de maio de 2018
O juiz Sérgio Moro condenou no domingo (13) 13 réus por fraude na licitação para a ampliação do Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobras), na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, envolvendo o pagamento de mais de R$ 20 milhões em propina. Entre eles, estão Paulo Ferreira, ex-tesoureiro do PT, Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, e Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras. A sentença foi anexada aos autos do processo nesta segunda (14).
Paulo Adalberto Alves Ferreira foi condenado a nove anos e dez meses por lavagem de dinheiro e associação criminosa. Léo Pinheiro e Renato Duque foram condenados por corrupção, a dois anos e seis meses e cinco anos e quatro meses, respectivamente.
Segundo a denúncia, o consórcio Novo Cenpes (formado pelas empreiteiras OAS, Carioca Engenharia, Construbase Engenharia, Construcap CCPS Engenharia e Schahin Engenharia) venceu a licitação junto a Petrobras para ampliar o Cenpes, mediante ajuste fraudulento e pagamento de vantagens indevidas a executivos da estatal e a agentes políticos. A propina acertada foi de R$ 20,6 milhões, equivalente a cerca de 2% do valor do contrato.
Pela OAS, estiveram envolvidos no pagamento de propina Léo Pinheiro e Agenor Franklin Magalhães. Na Petrobras, receberam as vantagens indevidas Renato Duque e Pedro Barusco, ex-gerente que não foi denunciado em função do acordo de colaboração.
Paulo Ferreira, ex-tesoureiro do PT, e seus aliados receberam R$ 1milhão, segundo a acusação. Ferreira foi tesoureiro do partido entre 2005 e 2010, antecedendo João Vaccari Neto, e deputado federal entre 2012 e 2014.
Ele teria realizado repasses para uma escola de samba de Porto Alegre e sua madrinha de bateria. Ferreira também teria beneficiado o advogado e ex-candidato a deputado estadual pelo PT, Júlio Garcia, que mantinha um blog.
De acordo com a acusação, Adir Assad, Rodrigo Morales e Roberto Trombeta atuavam como profissionais da lavagem de dinheiro, disponibilizando dinheiro em espécie às empreiteiras que desejavam pagar vantagens indevidas a agentes públicos e políticos.
A fraude veio à tona com a deflagração da 31ª fase da Lava-Jato, batizada de “Abismo”, em julho de 2016, com mandados de prisão e busca e apreensão realizados no Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo.
Veja quem são os condenados e as condenações:
Adir Assad, operador – lavagem de dinheiro, cinco anos e dez meses; Agenor Franklin Magalhães, ex-OAS – corrupção, dois anos e seis meses; Alexandre Romano, ex-vereador do PT – lavagem de dinheiro e associação criminosa, nove anos e quatro meses; Edison Freire Coutinho, executivo da Schahin Engenharia – corrupção e associação criminosa, cinco anos; Genésio Junior, executivo da Construbase Engenharia – corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa, 12 anos e oito meses; José Adelmário Pinheiro (Léo Pinheiro), ex-OAS – corrupção, dois anos e seis meses; José Antonio Schwartz, executivo da Schahin Engenharia – lavagem de dinheiro e associação criminosa, cinco anos e seis meses; Paulo Adalberto Alves Ferreira, ex-tesoureiro do PT – lavagem de dinheiro e associação criminosa, nove anos e dez meses; Renato de Souza Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras – corrupção, cinco anos e quatro meses; Ricardo Pernambuco, executivo da Carioca Engenharia – corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa, nove anos e seis meses; Rodrigo Morales, operador – lavagem de dinheiro, seis anos e dez meses; Roberto Capobianco, executivo da Construcap – corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa, 12 anos; Roberto Trombeta, operador – lavagem de dinheiro, seis anos e dez meses.