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Por Redação O Sul | 12 de setembro de 2017
O juiz federal Sérgio Moro deu prazo de 15 dias para que a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prove a origem doo dinheiro que foi bloqueado em nome do petista. A decisão foi tomada na segunda-feira (11). No fim de agosto, os advogados do político pediram ao juiz que liberasse parte da quantia, argumentando que dentro do montante havia recursos que pertenceriam ao espólio da ex-primeira-dama, Marisa Letícia. Eles também dizem que, em uma das contas atingidas pelo bloqueio, havia dinheiro da aposentadoria de Lula, o que poderia comprometer a subsistência dele.
Em julho deste ano, Lula foi condenado a nove anos e meio de prisão por ter recebido um apartamento triplex da OAS, em Guarujá, no litoral paulista. Entre os réus, também constava o nome de Marisa Letícia. Porém, na sentença, Sérgio Moro considerou que a aplicação de penas contra a ex-primeira-dama era impossível, devido à morte dela e extinguiu a punibilidade dela.
Os advogados de Lula dizem que a ordem de bloquear os valores pertencentes ao ex-presidente acabou atingindo também a parte que caberia do espólio da ex-primeira-dama. Lula e Marisa Letícia eram casados em comunhão total de bens. Sendo assim, metade do que um possuía também pertence ao outro. Como ela morreu, a metade que lhe cabia deve ser dividida entre os herdeiros.
Só na Brasilprev, havia duas previdências privadas em nome de Lula. Somadas, elas chegam a R$ 9 milhões. Na decisão de segunda-feira, Moro pediu aos advogados para apresentarem extratos bancários que comprovem que a origem dos recursos bloqueados era mesmo de aposentadoria, bem como a documentação que mostre se os recursos de previdência privada e contas bancárias poderia ser, de fato, repassado ao espólio de Marisa Letícia.
No despacho, Moro também determinou ao MPF (Ministério Público Federal) que se manifeste sobre o pedido da defesa de Lula. Não há prazo para que a decisão final sobre o assunto seja tomada.
Campanha eleitoral
O depoimento prestado pelo ex-ministro Antonio Palocci, no qual ele atribui ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o protagonismo no esquema de corrupção na Petrobras, deixa em aberto a tentativa do petista de se viabilizar como candidato à Presidência da República em 2018, segundo analistas consultados. A avaliação é de que, ainda que Palocci tenha de comprovar o que disse ao juiz Sérgio Moro, suas afirmações são fortes e podem comprometer a imagem de Lula.
O depoimento não apenas fechou o cerco ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como escancarou o racha no PT sobre quem encarnará o “plano B” para a eleição de 2018, caso ele seja impedido de entrar na disputa. Embora os petistas não admitam em público a possibilidade de a candidatura Lula ser inviabilizada politicamente ou juridicamente, há grande temor entre alguns dirigentes de que Palocci tenha reunido provas ou indícios do que contou ao juiz Sérgio Moro na quarta-feira da semana passada.