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Por Redação O Sul | 24 de maio de 2018
O papa Francisco alertou bispos italianos nesta semana a vetarem cuidadosamente candidatos ao sacerdócio e rejeitarem qualquer pessoa que suspeitam poder ser homossexual, relatou nesta quinta-feira (24) a mídia local. As informações são da agência de notícias Reuters e do portal de notícias G1.
“Mantenham um olho nas admissões aos seminários, mantenham seus olhos abertos”, disse o papa segundo o serviço Vatican Insider, do jornal La Stampa. “Se em dúvida, melhor não deixá-los entrar”.
O Vaticano não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as afirmações, que o Vatican Insider e o Il Messaggero disseram terem sido feitas em um encontro a portas fechadas na segunda-feira (21).
O encontro de Francisco com bispos italianos aconteceu somente um dia após um chileno que sofreu abuso sexual por um membro da Igreja afirmar que o papa disse a ele em conversa particular que Deus o fez gay e o amava desta maneira.
O Vaticano se negou a comentar sobre o relato, que desencadeou forte especulação da mídia de que Francisco está abrandando a posição da Igreja sobre homossexualidade. A Igreja condenou no passado a homossexualidade como uma desordem imoral se praticada ativamente.
Em um documento de 2005, divulgado sob o antecessor de Francisco, o papa Bento 16, o Vaticano informou que a Igreja poderia aceitar ao sacerdócio aqueles que haviam claramente superado tendências homossexuais por ao menos três anos.
Mas o documento dizia que homossexuais praticantes e aqueles com tendências gays “enraizadas” e aqueles que apoiam uma cultura gay deveriam ser barrados.
Chileno
Um chileno que foi abusado sexualmente por um padre pedófilo afirmou que o papa Francisco lhe disse que Deus o fez gay e o ama assim – o comentário sobre homossexualidade mais progressista já proferido pelo líder da Igreja Católica Romana. O relato foi publicado no portal do jornal espanhol “El País”.
Juan Carlos Cruz, que falou em particular com o papa na semana passada sobre o abuso que sofreu nas mãos de um dos pedófilos mais notórios do Chile, disse que a questão em torno de sua sexualidade surgiu porque alguns bispos do país tentaram descrevê-lo como um pervertido, alegando que ele estaria mentindo sobre o abuso.
“O papa me disse: ‘Juan Carlos, que você é gay não importa. Deus te fez assim e te ama assim, e eu não me importo. O papa te ama assim. Você precisa estar feliz com quem você é’”, contou Cruz ao “El País”.
Agora com 87 anos, Fernando Karadima, o padre que abusou de Cruz, foi considerado culpado pelo Vaticano.