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Mundo O Prêmio Nobel de Literatura vai para a poeta americana Louise Glück

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Ao longo da carreira, já recebeu prêmios importantes, como o Pulitzer e o National Book Award. (Foto: Reprodução)

O Prêmio Nobel de Literatura 2020 foi para a poeta americana Louise Glück por sua “inconfundível voz poética que, com austera beleza, faz da existência individual universal”. O anúncio foi feito às 8h (horário de Brasília-DF) em Estocolmo, na Suécia.

Glück estreou na literatura em 1968 e é autora 12 coletâneas de poemas e de alguns volumes de ensaios sobre o fazer poético.

O presidente do Comitê do Nobel, Anders Olsson, disse que falou ao telefone com Glück pouco antes do anúncio, recebido pela poeta com “surpresa”. Ele afirmou ainda que, este ano, por conta da pandemia de covid-19, a cerimônia de entrega do Nobel, marcada todos os anos para dezembro, não ocorrerá presencialmente em Estocolmo.

Aos 77 anos, Glück é professora da Universidade Yale, nos Estados Unidos. Ao longo da carreira, já recebeu prêmios importantes, como o Pulitzer e o National Book Award. Em 2015, ela recebeu, do presidente americano Barack Obama, a Medalha Nacional de Artes e Humanidades.

Conhecida por seus versos límpidos e autobiográficos, ela com frequência recorre à mitologia greco-romana, à natureza e à história para refletir sobre o cotidiano e a vida moderna. A poeta é a décima-sexta mulher a levar o Nobel de Literatura. A obra de Glück ainda não está traduzida no Brasil.

Segundo Olsson, “a infância e vida familiar, a relação próxima com os pais e os irmãos” são “temáticas centrais” da obra de Glück, cujos versos confrontam duramente as “ilusões do eu”. Embora jamais tenha negado a influência da própria biografia na composição de sua obra, a americana não é uma “poeta confessional”. “Glück aspira ao universal”, afirmou Olsson, ressaltando ainda que ela com frequência recorre às vozes de personagens da literatura clássica como Dido, Perséfone, Eurídice e até a Beatriz, da “Divina Comédia”, de Dante.

Entre seus principais livros estão “The Triumph of Achilles” (O triunfo de Aquiles), de 1985, e “Ararat” (referência ao Monte Ararat onde, segundo a Bíblia, a arca de Noé atracou depois do dilúvio). Em “Ararat”, Glück se esforçou para encontrar uma dicção mais prosaica, sem adornos e que fluísse naturalmente. Em seus ensaios, ela se debruçou sobre poetas T.S. Eliot, John Keats e George Oppen.

Nascida em Long Island, no Estado de Nova York, Glück estudou na Universidade Columbia e já lecionou em diversas instituições de ensino superior nos EUA. Numa entrevista à revista literária “Poets & Writers Magazine”, ela afirmou que poetas precisam viver a vida para poder produzir algo de original e que “reprimir impulsos passionais em favor da arte” é um “erro terrível”.

Quando recebeu a ligação do funcionário da Academia Sueca, Glück não soube muito bem o que dizer e reclamou que era cedo de mais para perguntas difíceis: “Meu primeiro pensamento foi: não vou ter mais nenhum amigo, porque todos os meus amigos são escritores. Então eu pensei: não, isso não vai acontecer. Não sei o que isso significa, não sei se… Quero dizer, é uma grande honra. Há laureados que eu não admiro. Depois eu penso naqueles que eu admiro. Alguns deles muito recentes. Eu penso de maneira prática. Pensei: bem, posso comprar uma casa. Mas o que mais me preocupa é preservar o meu dia a dia com as pessoas que eu amo”. A gravação do telefonema foi compartilhada no Twitter do Prêmio Nobel.

Louise Glück sucede à polonesa Olga Tokarczuk e ao austríaco Peter Handke, premiados no ano passado. Tokarczuk venceu o prêmio por sua “imaginação narrativa” e “paixão enciclopédica” que “representa o cruzamento de fronteiras como formas de vida”, afirmou a Academia Sueca. Já Handke levou o Nobel pela “engenhosidade linguística” com que “explorou as peripécias e especificidades da experiência humana”. No ano passado foram anunciados dois vencedores porque o Nobel de 2018 foi adiado depois que escândalos sexuais e vazamentos abalaram a reputação da Academia Sueca.

Depois de alguns anos de polêmica, o Nobel para Glück representa uma escolha segura dos suecos e uma tentativa de pacificação. Até quarta (7), três mulheres lideravam as apostas para o Nobel de Literatura de 2020. Glück não estava entre elas. O site britânico Nicer Odds, que reúne informações de diversas casas de aposta, apontava como favoritas a franco-caribenha Maryse Condé, a russa Liudmila Ulítskaia e a canadense Margaret Atwood.

Completavam a lista o queniano Ngũgĩ wa Thiong’o e o japonês Haruki Murakami. A canadense Anne Carson estava em sexto lugar no Nicer Odds, mas em primeiro no site da Ladbrokes, a principal rede de casas de aposta do Reino Unido.

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https://www.osul.com.br/o-premio-nobel-de-literatura-vai-para-a-poeta-americana-louise-gluck/ O Prêmio Nobel de Literatura vai para a poeta americana Louise Glück 2020-10-08
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