Quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025
Por Redação O Sul | 28 de setembro de 2018
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (28) que a Venezuela é um desastre, mas voltou a abrir portas para um diálogo com o presidente do país, Nicolás Maduro. “A Venezuela é um desastre que precisa ser limpo. É preciso nos ocuparmos do que está ocorrendo com as pessoas”, disse Trump, ao receber o presidente do Chile, Sebastián Piñera, na Casa Branca.
Questionado se ainda está disposto a se reunir com Maduro, Trump respondeu que sabe que o presidente venezuelano quer se encontrar com ele. “Veremos o que vai ocorrer”, afirmou. O primeiro sinal para um diálogo entre os dois foi dado por Donald Trump há dois dias. Em uma reunião paralela à Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), o presidente americano disse estar aberto a encontrar Maduro se os dois se cruzassem em Nova York e se isso fosse ajudar a Venezuela.
Maduro respondeu no mesmo dia, em discurso na Assembleia Geral, ao afirmar que estaria disposto a se reunir com Trump e a ter um diálogo de “agenda aberta”. Na quinta, o líder venezuelano afirmou que esse encontro seria para “o bem” dos dois países.
Apesar dos sinais, Trump não aborda o assunto sem ser perguntado por jornalistas e normalmente se esquiva ao responder, evitando fazer uma afirmação clara de que queira se reunir com Maduro. Trump afirmou nesta sexta-feira que planejava conversar com Piñera sobre a Venezuela e sobre outros eventos que estão ocorrendo no mundo.
Antes de ir à Casa Branca, o presidente chileno discordou publicamente, em um discurso no Conselho Permanente da OEA (Organização de Estados Americanos), de uma das opções consideradas por Trump para lidar com o problema da Venezuela.
“A opção militar não é uma boa opção [para a Venezuela]. Sabemos como as intervenções militares começam, mas nunca sabemos como terminam. Há a quantidade de mortos, de dor e de sofrimento que isso pode causar”, afirmou Piñera na sede da Organização dos Estados Americanos em Washington. Piñera, que assumiu o poder em março, não falou sobre a Venezuela no Salão Oval da Casa Branca.
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, se despediu nesta sexta-feira da Assembleia Geral, assegurando que a sua participação foi “uma vitória total”. “Sucesso total”, declarou o questionado presidente em um vídeo gravado em Nova York, a caminho do aeroporto, e publicado em sua conta no Twitter. “A verdade da Venezuela foi ouvida”, afirmou. “Vitória na ONU. Vitória total”.
Resolução
As Nações Unidas aprovaram pela primeira vez uma resolução contra o governo da Venezuela, pressionando o país para que aceite ajuda humanitária e dando um mandado explícito para que a entidade inspecione possíveis violações de direitos humanos em Caracas.
A aprovação no Conselho de Direitos Humanos da ONU mostra, na interpretação de diplomatas, que o regime de Nicolás Maduro está cada vez mais isolado. O texto ainda reconhece, também pela primeira vez, que o país vive “uma crise humanitária”.