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Futebol Mesmo com a evolução do futebol feminino no Brasil, a seleção teve a pior campanha na Copa desde 1995

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Brasil foi eliminado da Copa do Mundo Feminina 2023, após o empate sem gols com a Jamaica. (Foto: Thais Magalhães/CBF)

A eliminação precoce do Brasil na Copa do Mundo Feminina 2023, após o empate sem gols com a Jamaica, levanta inúmeras questões. Para respondê-las, os responsáveis pela seleção terão de analisar friamente e com alguma distância da emoção de momento a pior campanha brasileira em quase 30 anos. Mas em alguns pontos já se podem encontrar algumas respostas.

A queda do Brasil não revela uma grande falha do projeto como um todo. Os processos criados no último ciclo, principalmente nos últimos dois anos, seguem os padrões internacionais, como estrutura do departamento de futebol. A evolução em todo o ecossistema do futebol feminino no país também mantém o rumo esperado, ainda que tardio. A rápida intervenção da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), após a queda, em prometer aumento nos investimentos na categoria mostra que não é caso de terra arrasada.

Alguns antigos problemas, inclusive, parecem equacionados. A preparação física que costumava ser muito desigual entre as jogadoras vindas de cantos diferentes não entra na lista dos motivos da eliminação.

O fracasso brasileiro foi do jogo em campo. Sobretudo na partida contra a retranca jamaicana. Por mais que tenha tido a posse de bola e rondado a área adversária, a seleção não deu real trabalho à goleira Rebecca Spencer. O Brasil não propôs variação tática, com ou sem mudanças na estrutura do time, capaz de furar as linhas defensivas da Jamaica, que não tomou um gol sequer na primeira fase.

Faltou apuro técnico no último passe e nas finalizações. Não só contra as jamaicanas, mas ao longo da competição. O bom jogo na estreia contra o fraco Panamá encobriu alguns erros. Talvez eles tenham ficado mais evidentes contra a Jamaica por outro fator: o nervosismo. O psicológico era fundamental numa partida em que a adversária só precisava do empate para se classificar, de forma inédita, às oitavas de final do Mundial. O péssimo chute da jovem Geyse, já no fim do jogo, pode ser creditado a isso.

“É claro que a gente vir para esse jogo tendo que ganhar de qualquer jeito traz um nervosismo maior. O jogo foi acontecendo e a gente não foi conseguindo fazer gol. Fomos ficando mais nervosas ainda”, admitiu a experiente lateral Tamires.

O talento individual, tão ligado à história da seleção brasileira, ou aquele lance de brilho também não estiveram em campo na quarta-feira – com exceção do passe pelo alto dado por Ary Borges que encontrou Tamires livre para chutar em cima da goleira jamaicana.

Nem mesmo com Marta, que iniciou como titular na terceira escalação diferente do Brasil na competição e se despediu das Copas do Mundo.

“O povo brasileiro pedia renovação e está tendo renovação. A única velha aqui sou eu. São meninas que têm muito talento e um caminho enorme pela frente. É só o começo para elas. Eu termino aqui, mas elas continuam. Quero que as pessoas continuem tendo o mesmo entusiasmo que estavam tendo quando começou a Copa”, desabafou Marta, que não foi confirmada por Pia Sundhage nas próximas convocações.

Boa parte desses problemas se relaciona com uma figura central na seleção brasileira: a técnica Pia Sundhage, que admitiu a responsabilidade pela queda e pela demora a fazer substituições ontem a fim de tentar algo novo. Contratada em 2019, como personagem principal do processo de evolução do futebol brasileiro, a treinadora sueca mexeu nas estruturas da seleção, trouxe nova mentalidade de jogo – por vezes, muito criticada no início do ciclo –, mas não entregou o resultado esperado na Copa do Mundo. Neste período, ganhou apenas a Copa América, com uma vitória apertada sobre a Colômbia.

A CBF mirava bem mais alto. Visto que foi a melhor preparação dada a uma seleção feminina pela entidade, a projeção era uma semifinal. O que traz como reflexão se o trabalho de Pia é a melhor opção para a continuidade do ciclo, que só termina mesmo nos Jogos Olímpicos de Paris-2024, torneio tão importante quanto o Mundial.

A sueca tem contrato até agosto de 2024 – foi renovado em 2021, após Tóquio. Por ela, pretende cumpri-lo. Mas as palavras de Ednaldo Rodrigues deixam a dúvida no ar. O presidente da CBF não bancou a permanência de Pia depois da eliminação na Austrália. Irá analisar o trabalho da comissão técnica no tempo certo, fora do calor da emoção.

Porém, ainda sob o abalo do fim do sonho, houve quem não tenha poupado a treinadora. Uma das melhores em campo, a zagueira Rafaelle foi taxativa sobre o futuro da seleção:Eu acho que temos que pensar o que é melhor para o futebol feminino. Se tiver alguém com mais condição, com mais qualidade, o futebol feminino merece isso.” As informações são do jornal O Globo.

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https://www.osul.com.br/o-que-explica-a-pior-campanha-da-selecao-na-copa-desde-1995-se-o-futebol-feminino-evolui-no-brasil/ Mesmo com a evolução do futebol feminino no Brasil, a seleção teve a pior campanha na Copa desde 1995 2023-08-03
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