Neste sábado (7) será celebrado o 202º aniversário do Dia da Independência, que comemora o dia em que o Brasil deu um passo para se tornar uma nação soberana. A data não faz referência ao momento em que o território brasileiro se emancipou de Portugal de fato, mas destaca um gesto político do imperador Dom Pedro I (1798-1834), nas margens de um riacho que fica na cidade de São Paulo, que marcou a separação política entre os dois países.
Pedro foi aclamado imperador do País em 12 de outubro e coroado no dia 1º de dezembro de 1822. Sérgio Coutinho, doutor em história pela Universidade Federal de Goiás (UFG), explica que, nos primeiros anos do Brasil como nação soberana, o dia 12 de outubro foi considerado a data magna da Independência.
O 7 de Setembro veio à tona na década de 1830, quando d. Pedro abdicou do trono e rumou para Portugal. A elite brasileira buscou reforçar a separação entre os países como um movimento popular e, ao mesmo tempo, reduzir o enfoque na imagem do imperador.
Há um mito de que a separação entre as nações foi pacífica, mas Portugal, que não queria perder o controle do território, travou uma guerra com o nascente Exército Brasileiro. Os conflitos cessaram em março de 1824 e deixou um saldo de dois a três mil mortos. O governo português reconheceu a soberania do Brasil apenas em agosto de 1825.
Para Coutinho, o Brasil passou a ser uma nação independente de fato com o acordo feito com Portugal em 1825. “No ponto de vista das relações internacionais, o reconhecimento do Brasil significa a ruptura total de Portugal. Mas no ponto de vista simbólico, foi o 7 de Setembro que acabou se transformando”, disse.
O 7 de Setembro ocorreu devido a outras mãos além de Dom Pedro. Uma pessoa fundamental para a Independência foi Leopoldina, esposa do imperador. Eduardo Bueno explica que, além de enviar a carta que chegou ao imperador em São Paulo, ela foi responsável por conduzir discussões sobre a separação quando o monarca estava fora do Rio.
“Não foi ela que assinou a Independência, mas a carta que ela enviou é chave e ela deixa claro que ele [d. Pedro] deve se separar. Era uma mulher brilhante, culta, inteligente e capacitada para dirigir questões de Estado”, afirmou.
Outro personagem importante para o 7 de Setembro foi José Bonifácio de Andrada e Silva, conhecido como o “Patriarca da Independência”. Bonifácio era um mentor de d. Pedro e Leopoldina e foi responsável por dar conselhos para as decisões tomadas pelo nascente governo brasileiro.
“Ele também foi definitivo e chave. Ele era muito mais velho que o d. Pedro e a Leopoldina e ele era um mentor deles. Ele foi definitivo para todo o processo anterior e posterior”, afirmou Eduardo Bueno.
Há outros nomes que estão marcados na história do nascimento da nação brasileira. Um deles é o de Maria Quitéria de Jesus, que fingiu ser homem para se alistar entre os militares que combateram as forças portuguesas. Ela é a patronesse do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro e integra o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. (AE)