Terça-feira, 29 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 7 de agosto de 2018
O autor do massacre de 17 pessoas em uma escola na Flórida (EUA) ouvia “demônios” que lhe ordenavam a “queimar, matar e destruir”, segundo trechos do interrogatório policial divulgados na segunda-feira (06).
Nikolas Cruz, de 19 anos, foi detido sem resistência logo após o ataque, no dia 14 de fevereiro, em Parkland, ao norte der Miami, e interrogado no gabinete do comissário do condado de Broward. Segundo a polícia, Cruz se recusou a receber um copo d’água do detetive John Curcio afirmando que “não merecia” e pediu: “Me matem, apenas me matem, maldito seja”.
Em seguida, disse ao detetive que tinha “demônios em sua cabeça, que há muitos anos o atormentavam, que lhe davam instruções para comprar armas, matar animais e destruir tudo”. “Quais são os demônios?”, perguntou o detetive. “As vozes. O lado malvado”, respondeu Cruz. “O que a voz pede para você fazer?”, insistiu Curcio. “Queima, mata, destrói”, respondeu o jovem.
Cruz revelou que tentou se matar dois meses antes do ataque – após a morte da sua mãe, em novembro de 2017 – com uma overdose dos analgésicos Ibuprofeno e Advil. “Não sei quantos comprimidos tomei. Um montão”, revelou.
Quando o detetive perguntou por que motivo decidiu comprar um fuzil AR-15 – que Cruz utilizou no ataque –, o jovem respondeu: “Porque achei ‘cool’”. Cruz comprou o fuzil legalmente, em um país onde a posse e a venda de armas é legal.
O depoimento de Cruz foi divulgado após a juíza encarregada do caso, Elizabeth Scherer, aprovar um pedido dos jornais Miami Herald e Sun Sentinel para ter acesso e divulgar o conteúdo. O jovem Cruz enfrenta a pena de morte pelo massacre em Parkland, que reativou o debate sobre o controle de armas e deflagrou manifestações em todo os Estados Unidos sob o lema “Nunca mais”.
Doação
Nikolas Cruz quer doar sua herança às vítimas e familiares do próprio ataque, informaram os seus advogados na Flórida. Na audiência, a juíza do condado de Broward deveria determinar se Cruz – até agora representado por defensores públicos – é capaz de pagar a própria defesa.
Os advogados do acusado ainda não puderam determinar o valor total de sua herança. “Cruz não quer esse dinheiro, qualquer que seja o valor”, declarou a advogada Melisa McNeill. “Ele deseja que esse dinheiro seja entregue a uma organização escolhida pelas famílias das vítimas.”
O atirador, que chegou ao tribunal de Fort Lauderdale com os pés e as mãos algemados, se manteve calado e com o olhar fixo para baixo. “Permita que [o dinheiro] vá para os que ficaram feridos, ponto”, disse outro advogado da defesa, Howard Finkelstein, à juíza.
Os advogados revelaram algumas posses de Cruz, que tem 24 ações da Microsoft, avaliadas em 2.200 dólares, e um prêmio de seguro de vida da mãe de 25 mil dólares.