O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou fortemente nesta quinta-feira (18) o ataque de um jovem branco que matou nove pessoas em uma igreja da comunidade negra em Charleston, na Carolina do Sul, reconhecendo que esse tipo de violência “não acontece em outros países desenvolvidos”. Expressando tristeza e revolta, ele criticou o fácil acesso a armas e recordou que não é a primeira vez que um templo frequentado por negros é atingido nos EUA.
“O fato de que o tiroteio de Charleston ocorreu em uma igreja negra levanta questões sobre uma parte sombria da nossa História. Esse tipo de violência em massa não acontece em outros países desenvolvidos. Eu tive que fazer declarações como esta muitas vezes. Comunidades tiveram de suportar tragédias como esta muitas vezes”, afirmou Obama, em seu 11º pronunciamento sobre assassinatos coletivos nos EUA durante os seus mandatos.
O presidente disse ainda que ele e sua mulher, Michelle, conheciam o pastor da igreja morto no ataque, o senador estadual Clementa Pinckney. Obama chamou atenção para a violência causada por armas de fogo. “Qualquer morte deste tipo é uma tragédia, qualquer tiroteio envolvendo múltiplas vítimas é uma tragédia”, acrescentou Obama. “Existe algo particularmente trágico em mortes que acontecem em um lugar onde procuramos consolo e buscamos a paz. Mais uma vez, pessoas inocentes foram mortas em parte porque alguém que queria feri-las não teve problemas para colocar suas mãos em uma arma.”
Depois de uma intensa caçada policial, o suspeito foi capturado nesta quinta em Shelby, na Carolina do Norte. Dylann Storm Roof, de 21 anos, estava armado ao ser preso em um carro, mas não ofereceu resistência, segundo o chefe da polícia local, Gregory Mullen. Ainda de acordo com a polícia, não há motivos para acreditar que há outras pessoas envolvidas no massacre.
Ao confirmar a prisão, o prefeito de Charleston, Joe Riley, chamou Roof de um “ser humano terrível” e agradeceu as autoridades federais pela ajuda na investigação. “Nos EUA, nós não permitimos que pessoas más como essa escapem de seus atos covardes”, disse Riley em uma coletiva de imprensa.
O ataque aconteceu na noite de quarta-feira (17) na Igreja Metodista Episcopal Africana Emanuel, uma das mais antigas da comunidade negra de Charleston. A polícia contou que o atirador passou uma hora no local antes de começar os disparos. Uma das sobreviventes relatou ter sido poupada pelo assassino para “viver e contar o que aconteceu”. Segundo outras testemunhas, o jovem disse que estava no templo para atirar em negros.
A procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, lamentou o massacre e enviou suas condolências às famílias das vítimas. “Atos como esse não têm lugar no nosso país nem na nossa sociedade civilizada”, disse Lynch. (AG)