Domingo, 06 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 4 de fevereiro de 2023
O Palácio do Planalto vai atender a um pedido do presidente reeleito da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e destinar R$ 2,8 bilhões em emendas parlamentares a 218 deputados novatos da casa. O pedido é um dos primeiros da lista de Lira para o Planalto após a vitória dele na eleição.
Como chegaram agora na Câmara, os novos deputados não indicaram emendas na Lei Orçamentária Anual de 2023. Com o gesto, porém, o governo acaba acenando tanto para parlamentares quanto para Lira e tenta consolidar sua base aliada para aprovar projetos de seu interesse.
Outras demandas
Há porém outras demandas do que vem sendo chamado no governo de “consórcio do Lira”, seu grupo político que transcende partidos políticos. É formado por parlamentares de legendas diferentes, mas tem no seu eixo o PP, PL, Republicanos e o União Brasil.
As demandas não necessariamente são feitas diretamente por Lira ao governo, mas por interlocutores.
O grupo, por exemplo, deve ficar com três diretorias do Correios. O União Brasil deverá fazer as indicações. Diretorias de bancos estatais também estão no alvo.
O governo porém resiste a entregar todos os pedidos. Havia demandas por exemplo para ocupar por completo alguns órgãos, em um modelo chamado se “porteira fechada”, quando todas as indicações são feitas pelo partido.
O “consórcio de Lira” pediu, por exemplo, este formato para o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, a Codevasf e o Banco do Nordeste. A ideia no Palácio do Planalto é não entregar tudo, mas lotear os órgãos para diferentes legendas.
Votação recorde
O alagoano Arthur Lira (PP) foi eleito, com larga margem de votos em comparação a seus adversários, pela segunda vez à presidência da Casa. Ele teve 464 votos, um recorde na história da democracia brasileira e comandará a Câmara no biênio 2023-2024.
Com grande capacidade de articulação, ele foi capaz de unir, em um único bloco de apoio, siglas opostas e adversárias, como PT e PL, além das bancadas do PP, PSD, MDB, PDT, PSDB, Cidadania, Solidariedade, Mais Brasil (fusão PTB e Patriota), Pros, PCdoB, PV, PSB e União Brasil. Ao todo, Lira obteve apoio de 14 federações ou partidos que, juntos, têm 496 dos 513 deputados.
Lira provou mais uma vez sua habilidade nas negociações políticas ao ganhar o apoio do bloco do PT, uma vez que, juntamente com o senador Fernando Collor (PRTB-AL), ele foi um dos principais cabos eleitorais em Alagoas, seu estado, do candidato derrotado à presidência, Jair Bolsonaro (PL), que concorreu contra Lula (PT).