Quinta-feira, 03 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 31 de março de 2025
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que estavam na antessala do plenário, na última quinta-feira (27), presenciaram uma cena inusitada sobre costumes e religiosidade.
O presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, entrou sério e pediu a atenção dos colegas. Disse que gostaria de designar o ministro André Mendonça para uma representação institucional. Mendonça se dirigiu ao presidente com atenção e ouviu de Barroso: “Gostaria de te designar para me representar na Parada Gay de São Paulo”.
Os ministros não imaginavam a perspicácia com que Mendonça, evangélico, entraria na brincadeira: “Eu vou, presidente, mas o senhor terá que ir na Marcha para Jesus no meu lugar”. A cena terminou com uma gargalhada de Barroso, que havia acabado de receber das mãos de representantes da parada um convite para abertura do evento, que acontecerá em junho.
Histórico
A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo começou a ser realizada em 1997, no entanto, não levou milhões de pessoas às ruas naquele ano e precisou que uma drag queen se deitasse no asfalto da avenida da Paulista, impedindo o trânsito de carros, para que o desfile ocorresse.
Essa artista foi Kaká Di Polly (1960-2023), uma figura pioneira e icônica nas décadas de 1980 e 1990, considerada lendária para diversas pessoas da comunidade LGBT+ brasileira. Após sua morte, Kaká continua sendo reverenciada pela importância que teve.
Com a ação dela no dia 28 de junho de 1997, 2.000 pessoas se reuniram na avenida-cartão postal de São Paulo e marcharam sob chuva até a praça Roosevelt, na região central, em protesto contra discriminações à comunidade LGBT+.
A primeira Parada do Orgulho de São Paulo foi chamada de “Parada do Orgulho Gay” (ou só “Parada Gay”) e mudou de nome dois anos depois para “Parada do Orgulho GLBT”. Em 2008, o evento mudou de nome novamente para dar mais visibilidades às mulheres lésbicas, colocando a letra L na frente.
A primeira nomenclatura foi dada porque, no Brasil, o movimento LGBT+ começou a tomar forma sob a denominação de “movimento gay” ou “movimento homossexual” no final da década de 1970, conforme registros do Memorial da Democracia.
Já a Marcha para Jesus, teve sua primeira edição no Brasil em 1993, em São Paulo. Na ocasião, um grupo de 350 mil pessoas partiu da avenida Paulista, passando pela avenida Brigadeiro Luís Antônio e chegando ao Vale do Anhangabaú para adoração de Jesus Cristo e comunhão por meio de músicas.