Sábado, 05 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 23 de março de 2025
Antes mesmo do início do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), o PL já dava como certa a perda de mandato da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), integrante da tropa de choque bolsonarista na Câmara, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
O caso, que está sendo julgado pelo Supremo desde a última sexta-feira (21) e seguirá sob análise até o próximo dia 28, diz respeito ao episódio em que Zambelli apontou sua arma e perseguiu um apoiador de Lula em uma rua no bairro nobre de Jardins, em São Paulo, um dia antes do segundo turno das eleições presidenciais, em 2022.
A cena foi filmada por populares que caminhavam pelo bairro e viralizou nas redes na reta final da campanha, o que irritou Bolsonaro.
Na avaliação de aliados do ex-presidente, a cena de Zambelli com uma arma em punho pelas ruas de São Paulo não foi apenas “grave”, como contribuiu para a derrota nas eleições de 2022.
“Ela deu a vitória ao Lula, segundo as nossas pesquisas pós-eleições”, diz um ex-integrante do primeiro escalão bolsonarista ouvido reservadamente pelo blog. “Sondagens realizadas por mais de um fornecedor evidenciaram o desastre de derretimento de votos menos de 18 horas antes da abertura das urnas.”
Só na cidade de São Paulo, Lula obteve cerca de meio milhão de votos a mais que Bolsonaro no segundo turno. Em todo o território nacional, a vantagem do petista sobre o adversário foi de apenas 2,1 milhões de votos.
Votos
O STF (Supremo Tribunal Federal) já tem quatro votos para condenar a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) a 5 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, e à perda do mandato parlamentar por porte ilegal de arma de fogo e de constrangimento ilegal com emprego de arma.
Relator do caso, Gilmar Mendes se posicionou a favor dessa punição e foi seguido ainda na sexta-feira (21) pelos ministros Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes e, neste domingo (23), por Flávio Dino. Até aqui, ninguém votou contrário. O processo está sob análise em plenário virtual (ambiente remoto por meio do qual os ministros depositam votos ao longo de, em geral, uma semana) até a próxima sexta (28).
Zambelli foi tornada ré pela corte em agosto de 2023. Na ocasião, votaram pela abertura da ação penal 9 dos 11 ministros: o relator, Moraes, Cármen, Cristiano Zanin, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Rosa Weber e Luiz Fux.
Em nota nesta sexta, a parlamentar afirmou que, apesar de sua ter reivindicado, “seu legítimo direito de efetivar defesa oral, o pleito sequer foi analisado pelo ilustre relator do processo no STF”.
“Essa seria a melhor oportunidade de evidenciar que as premissas colocadas no voto proferido estão equivocadas. Esse direito do advogado não pode ser substituído por vídeo enviado —cuja certeza de visualização pelos julgadores inexiste. Mas, apesar desse cerceamento da defesa, foram ainda enviados e despachados memoriais com os ministros para motivá-los a ter vistas e examinar minuciosamente os autos”, diz o comunicado.
Zambelli também divulgou uma nota. “Tenho total confiança na Justiça e acredito que, com o esclarecimento completo dos fatos, minha inocência será comprovada”, disse, no comunicado.