Quinta-feira, 03 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 3 de fevereiro de 2025
Em sessão solene na tarde dessa segunda-feira (3), o deputado estadual Pepe Vargas (PT) tomou posse como presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul até 31 de janeiro do ano que vem, em substituição a Adolfo Brito (PP). Seu discurso na tribuna e a coletiva de imprensa pós-evento foram marcados por declarações sobre temas como a dívida gaúcha – ele é defensor da repactuação com o governo federal.
“O Rio Grande do Sul terá uma oportunidade inédita. Até 2026, R$ 14 bilhões ficarão aqui, representando liquidez imediata para novos investimentos”, declarou. “Mesmo que o valor seja somado ao saldo devedor ao fim do período, a proposta em discussão permitirá que, em vez de pagar juros, o Estado invista em determinadas áreas.”
Ele também detalhou como pretende pautar o tema do desenvolvimento econômico sustentável, do ponto-de-vista social e ambiental, durante sua gestão à frente da Casa:
“Por meio do Fórum Democrático, que é um espaço de diálogo entre o Parlamento e a sociedade, serão promovidos debates em todo o Rio Grande do Sul. Além disso, o Parlamento estimulará entidades sociais a discutir o tema e apresentar propostas. Precisamos crescer com sustentabilidade social e ambiental. Isto é, produzir com mais cuidado com o meio ambiente, distribuindo melhor a renda e reduzindo desigualdades entre as nossas regiões”.
Em relação à polarização política, Pepe argumentou que o problema não é a divisão, mas o não cumprimento das regras por participantes do jogo democrático: “É preciso respeitar as instituições e o processo democrático, aceitando os resultados. Não há só divisões na política, mas muitos consensos e somas de vontades em prol do interesse público”.
Sobre as despesas do Parlamento gaúcho, ele ponderou que representam metade do valor máximo permitido pela legislação. “Em 2009, o custo de manutenção de todas as atividades da Assembleia equivalia a oito dias de arrecadação. Em 2023, essa proporção caiu para seis dias”, comparou. “Os gastos com pessoal estão muito distantes do limite e, ano a ano, o Poder Legislativo tem melhorado seu desempenho fiscal.”
Na conversa com os jornalistas, Pepe ainda respondeu questionamentos sobre ajuda aos municípios, pedágios e infraestrutura. Ele defendeu a continuidade do debate nas comissões técnicas da Assembleia sobre a modelagem de concessão de rodovias. “As associações de municípios devem intensificar o diálogo com o governo do Estado sobre suas demandas”, finalizou. “O Parlamento tem a prerrogativa de remanejar recursos do orçamento estadual para atender necessidades locais. Muitas das questões pleiteadas pelos gestores municipais poderão ser debatidas nas rodadas do Fórum Democrático ao longo do ano”.
Trajetória
O percurso política de Pepe Vargas começou em 1974, aos 16 anos, apoiando as candidaturas que faziam oposição à ditadura (1964-1985). Com a reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Estadual dos Estudantes do Rio Grande do Sul (UEE-RS), ambas fechadas pelo regime militar e reorganizadas após a Lei da Anistia de 1979, Pepe passou a atuar no movimento.
Na década seguinte, foi um dos líderes da Caravana das Diretas, movimento da UEE-RS (da qual era diretor) que percorreu cidades gaúchas defendendo a realização de escolha direta para presidente da República, em 1984 – possibilidade derrubada por maioria de votos no Congresso Nacional e que só se concretizaria em 1989.
Pepe também esteve envolvido nas atividades que levaram à fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980. Sua trajetória parlamentar começou em 1989, ao ser eleito o primeiro vereador da sigla em Caxias do Sul, cidade onde chegara aos 5 anos, vindo com a família de Nova Petrópolis.
Em 1994, conquistou seu primeiro mandato de deputado estadual e dois anos depois chegou a prefeito, em segundo turno disputado com o então deputado federal Germano Rigotto (do MDB e que depois seria governador). Foi reeleito em 2000, também em segundo turno, vencendo o então deputado federal José Ivo Sartori (do MDB e que também seria governados).
Eleito deputado federal em 2006, 2010 e 2014, Pepe Vargas foi presidente da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados e presidiu no Congresso Nacional a Frente Parlamentar Mista das Micro e Pequenas Empresas, responsável pelas tratativas que regulamentaram o sistema tributário Simples Nacional.
Também chefiou três ministérios durante a gestão da presidente Dilma Rousseff (2011-2015): Desenvolvimento Agrário, Direitos Humanos e Relações Institucionais. Retornou à Assembleia Legislativa em 2019, onde presidiu comissões importantes, como a destinada a debater a reforma da Previdência, a crise do IPE Saúde e a que sugeriu medidas sobre os benefícios ficais concedidos pelo governo estadual. Também liderou frentes parlamentares em defesa da Petrobras, dos usuários de rodovias pedagiadas e das vítimas da covid.
(Marcello Campos)
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