Domingo, 27 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 23 de maio de 2016
Pesquisa divulgada pela Organização Internacional de Combate à Pobreza aponta que 86% das mulheres brasileiras já sofreram assédio em público em suas cidades. O levantamento mostra que o assédio em espaços públicos é um problema global, já que na Tailândia também 86% das mulheres entrevistadas passaram pela mesma situação. Na Índia, o índice é de 79%, e na Inglaterra chega a 75%.
A pesquisa, realizada pelo Instituto YouGov, ouviu 2.500 mulheres com idade acima de 16 anos nas principais cidades desses quatro países. No Brasil, foram pesquisadas 503 mulheres de todas as regiões do País, em uma amostragem que acompanhou o perfil da população brasileira feminina apontado pelo censo populacional do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Para a pesquisa, foram considerados assédio atos indesejados, ameaçadores e agressivos contra as mulheres, podendo configurar abuso verbal, físico, sexual ou emocional.
Formas de assédio
Em relação às formas de assédio sofridas em público pelas brasileiras, o assobio é a mais comum (77%), seguido por olhares insistentes (74%), comentários de cunho sexual (57%) e xingamentos (39%). Metade das mulheres entrevistadas no Brasil disse que já foi seguida nas ruas, 44% tiveram seus corpos tocados, 37% disseram que homens se exibiram para elas e 8% foram estupradas em espaços públicos.
Regiões
A Região Centro-Oeste é onde as mulheres mais sofreram assédio nas ruas, com 92% de incidência do problema. Em seguida, vêm Norte (88%), Nordeste e Sudeste (86%) e Sul (85%).
No levantamento, as mulheres também foram questionadas sobre em quais situações elas sentiram mais medo de serem assediadas. 70% responderam que ao andar pelas ruas; 69%, ao sair ou chegar em casa depois que escurece e 68% no transporte público.
Na comparação com outros países, 43% das mulheres ouvidas na Inglaterra e 62% na Tailândia disseram que se sentiam mais inseguras nas ruas de suas cidades, enquanto na Índia o espaço de maior insegurança era o transporte público, apontado por 65% das entrevistadas.