Quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025
Por Redação O Sul | 30 de julho de 2015
Três policiais militares da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) são suspeitos de torturar e manter em cárcere privado três rapazes que estariam envolvidos na morte de um delegado em 2013. Os agentes queriam que o trio confessasse o assassinato. As informações são da Comissão de Segurança Pública da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
De acordo com Arles Gonçalves Júnior, presidente do colegiado, as vítimas denunciaram os policias da Rota, grupo de elite da PM (Polícia Militar) paulista, à Polícia Civil, que indiciou dois deles por tortura. Um outro agente de segurança será indiciado quando voltar da licença médica. A Secretaria da Segurança de São Paulo informou que a polícia investiga o caso e que “não tolera desvios”.
A tortura.
As vítimas alegaram que os policiais deram choque elétrico no pênis de um dos rapazes, colocaram outro dentro da geladeira e mantiveram outro deles preso no banheiro. A ação violenta da Rota, relatada pelo trio, teria ocorrido ocorrido em 24 de outubro de 2013, dois dias após o assassinato do delegado Antonio Cardoso de Sá. O policial civil havia sido morto a tiros em 22 de outubro, em um bar.
Segundo os policias da Rota, os suspeitos do crime eram André Luis Loureiro da Silva, Marcos Vinicius dos Santos da Silva e William Silva Santiago. Apesar de os PMs terem informado que os três confessaram o crime, o DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) liberou os rapazes por entender que não havia indícios contra eles. O verdadeiro assassino do delegado foi preso depois.
Ação ocorreu na casa de uma das vítimas
A ação dos três policiais da Rota, então um tenente e dois soldados, ocorreu na casa de um dos suspeitos, na Zona Leste de São Paulo. Conforme o representante da OAB, quando os PMs levaram os rapazes ao DHPP, um delegado desconfiou dos ferimentos neles.
“Dois deles negaram o crime e ainda estavam bem machucados”, lembrou Arles. De acordo com a Comissão de Segurança Pública da OAB, as vítimas disseram que as sessões de tortura duraram sete horas.
Após denunciarem a tortura à Polícia Civil, em 2014, os três rapazes não foram mais encontrados. “O DHPP chegou até a procurar cadáveres não identificados para saber se seriam algumas das vítimas, mas não teve nada confirmado”, disse Gonçalves Júnior. Ele aponta que Comissão de Segurança da OAB e a Polícia Civil ainda procuram pelas vítimas. “O paradeiro deles é desconhecido, mas provavelmente saíram de São Paulo com medo de represálias.”
Um dos policiais da Rota envolvidos na ação chegou a ser promovido. “O tenente se tornou capitão”, informou o representante da OAB, que, no entanto, não soube dizer o nome do oficial e dos outros dois agentes indiciados. (AG)