Quarta-feira, 02 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 1 de abril de 2025
Mais de 24 horas após o temporal que atingiu Porto Alegre, a Defesa Civil municipal ainda contabilizava nessa terça-feira (1) os danos causados pelo fenômeno, acompanhado de ventos de até 110 km/h e eventual queda de granizo. Ao menos 223 imóveis sofreram destelhamento, o que exigiu do órgão a entrega de lonas aos proprietários, como medida temporária até que providenciem os devidos reparos.
Também ocorreram prejuízos e transtornos relacionados a quedas de galhos ou mesmo árvores inteiras. Outro problema, curiosamente, é que a mesma cidade com pontos de alagamento registrou desabastecimento de água, associada a falta de luz.
As Estações de Tratamento de Água (ETA) Moinhos de Vento, Menino Deus, São João e Belém Novo voltaram a funcionar ao longo do dia, após o restabelecimento da energia durante a madrugada e início da manhã. A unidade do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) no bairro Tristeza (Zona Sul) não foi afetada, mas a responsável pela região das ilhas do Guaíba permaneceu inoperante, ao menos até o meio-dia, sendo atendida por caminhões-pipa.
Após o restabelecimento da luz, o retorno da água é gradual. Por isso, as áreas mais distantes e/ou altas do sistema ainda podem ter desabastecimento ao longo do dia.
Dupla alimentação – As ETAs Moinhos de Vento, São João e Menino Deus contam com dupla alimentação de energia, contratada pelo Dmae junto à CEEE Equatorial. O custo mensal da operação é de aproximadamente R$ 1,5 milhão. Mesmo assim, todas as fases disponibilizadas às estações ficaram fora de operação após a chuva.
“Priorizamos o abastecimento dos locais com prestação de serviços essenciais, como estabelecimentos de saúde, casas de repouso, asilos e escolas. Ao longo do dia, atuaremos também nas comunidades que solicitarem atendimento por meio das subprefeituras”, afirma a diretora de Tratamento e Meio Ambiente do Dmae, Joice Becker.
Panorama geral
– Saúde: quatro unidades de saúde ficaram sem atendimento: Ilha da Pintada, Vila Elizabeth, Cruzeiro do Sul e Glória. Já a Bom Jesus estava fechada para capacitação de equipe, conforme agendamento. Outras 30 permaneceram abertas, ainda que mediante restrições (sem energia elétrica, internet ou água).
O Centro Logístico de Medicamentos Especiais (Celme) funcionou com capacidade reduzida nessa terça-feira. Enquanto isso, equipes trabalhavam no conserto de quatro guichês que sofreram avarias devido ao temporal.
– Serviços Urbanos: a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb) registrou 158 chamados relativos a quedas de árvores ou galhos. Houve, ainda, 18 ocorrências no Parque da Redenção).
– Mobilidade: a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) registrou 51 bloqueios por queda de árvores ou galhos na via, sendo 19 totais e 32 parciais. Havia, ainda, 50 cruzamentos com semáforos fora de operação por falta de energia, enquanto 13 locais permanecem isolados em razão de fios energizados caídos sobre a via.
– Assistência Social: dentre Centros POP, Centros de Referência da Assistência Social (Cras) e Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), foram nove unidades de serviço social impactadas pela falta de luz, água ou internet. Embora com serviços interrompidos, equipes permaneceram nos estabelecimentos para orientação e encaminhamentos.
– Cultura: devido à falta de energia ou danos causados pela queda de galhos de árvores, estavam fechadas nessa terça-feira o Museu Joaquim Felizardo, Museu de Arte do Paço, Solar Paraíso e Casa D. Já a Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães e os cursos do Atelier Livre, ambos no Centro Municipal de Cultura, funcionaram normalmente.
(Marcello Campos)