Domingo, 24 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 18 de abril de 2026
O pré-candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, usou o lançamento das diretrizes de seu plano de governo para reafirmar que levará “até o fim” sua candidatura, negando que vá desistir para ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). Durante evento na quinta-feira (16), em São Paulo, Zema apresentou uma prévia de suas propostas sob o slogan “o Brasil sem intocáveis”, que inclui medidas como uma reforma do Supremo Tribunal Federal (STF).
O programa de governo defende a privatização de todas as empresas estatais ou de economia mista, como a Petrobras, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Correios; propõe um regime de trabalho mais flexível e “paralelo” à CLT, com a possibilidade de pagamento por horas e sem FGTS; e sugere uma reforma “permanente” da Previdência, com a revisão da idade a cada dois anos e a criação de um regime de capitalização.
Zema negou, em entrevista coletiva, as especulações sobre uma aliança com Flávio, indicando uma aposta na consolidação de seu nome na corrida. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira (15), o ex-governador de Minas Gerais tem 3% das intenções de voto no primeiro turno, atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 37%, Flávio, com 32%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 6%. Em eventual segundo turno contra Lula, Zema marca 36%, enquanto o atual presidente registra 43%.
“Vou levar a pré-candidatura e candidatura até o final. O que tenho de mais diferente é que sou o único pré-candidato que teve de consertar as barbaridades do PT, quando assumi um Estado arruinado e o botei de pé”, disse Zema, que sucedeu o petista Fernando Pimentel no governo de Minas. Ele usa essa experiência como uma demonstração de que poderia fazer o mesmo pelo Brasil, caso eleito.
Aliados apostam no discurso duro de Zema contra o STF, com termos como “pouca vergonha” e “balcão de negócios”, como um dos eixos que podem fazê-lo crescer, aproveitando uma pauta de apelo popular crescente. O plano de governo também se volta para o custo de vida, prometendo “fazer o dinheiro do brasileiro voltar a valer”, com iniciativas para equilibrar as contas do governo e frear a taxa de juros. Propõe ainda endurecimento penal para enfrentar a crise de segurança pública. Boa parte das medidas depende de aprovação do Congresso.
Nos bastidores, aliados consideram que outros nomes da direita, como Flávio e Caiado, têm sido menos enfáticos nas críticas ao STF, o que fortalece Zema nesse tema. Apesar das negativas sobre uma composição com Flávio, uma ala do Novo defende que a aliança seja buscada, por entender que o partido deveria se concentrar nas eleições para o Congresso, a fim de superar a cláusula de barreira.
O ex-governador prometeu que, caso vença a eleição, sua primeira medida será “propor ao Congresso um novo Supremo”. Ele defendeu que os ministros sejam obrigados a “prestar contas dos seus atos”, que tenham idade mínima de 60 anos para serem indicados, cumprindo mandatos de 15 anos na corte, e que parentes deles não possam ter negócios jurídicos.
“Um novo Supremo é o primeiro passo para um programa de moralização do Judiciário. O Judiciário é importantíssimo para a democracia, só que não podemos ter um Judiciário de intocáveis, como nós estamos vendo”, afirmou.
Ao discursar no evento, o presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, disse que o partido se modificou, com decisões como usar recursos do fundo eleitoral e permitir coligações. “São reformas que colocam o Novo num patamar de competitividade infinitamente maior do que em 2018 e 2022”, afirmou.
Zema afirmou que as conversas sobre alianças “estão andando”, ao ser indagado sobre vice e palanques nos Estados. “O Novo já aprendeu a fazer política, e queremos caminhar com quem é do bem”, comentou.
Além de propor contratos flexíveis de trabalho, que não significariam o fim da CLT, mas, sim, “uma alternativa” para que empregados e patrões negociem o melhor formato para ambos, Zema sugeriu uma reforma do Bolsa Família, afirmando que programas como ele criam “uma cultura de dependência do Estado e do vitimismo”.
Uma das ideias do ex-governador é que beneficiários com condições de trabalhar e que recusem ofertas de emprego possam ser cortados do programa. De acordo com ele, “um marmanjão” com Bolsa Família e desempregado deveria “ser obrigado” a aceitar ofertas de trabalho, sob pena de ter o benefício suspenso.
Indagado sobre eventuais dificuldades em levar à campanha temas impopulares, como flexibilização da legislação trabalhista e revisão das regras para aposentadoria, Zema respondeu que “o brasileiro está escaldado de propostas populistas” e que “sabe que esse não é o caminho da prosperidade”: “Não fui eleito com propostas populistas em Minas Gerais. As informações são do jornal Valor Econômico.
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