O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi eleito a pessoa do ano de 2022 pela revista Time, nesta quarta-feira (7), em reconhecimento à sua liderança durante a guerra em seu país, invadido em fevereiro pela Rússia. A revista também homenageou “o espírito da Ucrânia”, ressaltando a firmeza da resistência do país à agressão.
A homenagem, que tem repercussão mundial, é o mais recente passo na ascensão notável pela qual passou Zelensky. Sua carreira primeiro teve um grande salto quando, de comediante de televisão, ele assumiu a Presidência, em 2019. Depois, neste ano, tornou-se um líder de estatura global.
O líder ucraniano passou a simbolizar a resistência de seu país desde que a Rússia lançou sua invasão de grandes proporções em fevereiro. Ele apresentou a guerra como uma luta pela paz e pela democracia, de pessoas tolerantes e amáveis que buscam se libertar da tirania.
“Não havia muito na biografia de Zelensky para prever sua disposição de resistir e lutar. Ele nunca serviu nas Forças Armadas ou demonstrou muito interesse nesses assuntos. Ele era presidente apenas desde abril de 2019. Seus instintos profissionais derivavam de uma vida inteira como ator no palco, especialista em comédia de improvisação e produtor na indústria cinematográfica”, escreveu a Time.
“Essa experiência acabou tendo suas vantagens. Zelensky era adaptável, treinado para não perder a coragem sob pressão. Ele sabia ler uma multidão e reagir a seus humores e expectativas. Agora seu público era o mundo. Ele estava determinado a não decepcioná-los”, acrescenta a revista.
Duas decisões tomadas em fevereiro definiram seu estilo. Quando a guerra começou, as potências ocidentais e especialistas militares entenderam que as forças russas iriam rapidamente invadir Kiev, a capital da Ucrânia, e esperavam que o governo de Zelensky fugisse para uma área mais segura. Em vez disso, o presidente permaneceu na cidade para exprimir normalidade, coragem e desafio. As forças ucranianas acabaram por repelir o ataque russo naquele front.
“O sucesso de Zelensky como líder em tempos de guerra se baseou no fato de que a coragem é contagiosa. Ela se disseminou a partir da liderança política da Ucrânia nos primeiros dias da invasão, quando todos perceberam que o presidente havia permanecido”, escreve a Time, observando que em casos recentes, como no Afeganistão, isso não ocorreu.
A segunda decisão crucial de Zelensky foi começar a fazer discursos noturnos transmitidos nas redes sociais. Em um deles, pouco antes do início da invasão, Zelensky disse: “Ouçam a voz da razão. O povo ucraniano quer a paz.”
Em outro discurso, na noite em que as forças russas cruzaram a fronteira e começaram a bombardear Kiev, ele expressou uma nova missão nacional.
“Putin começou uma guerra contra a Ucrânia e contra todo o mundo democrático”, disse ele. “Ele quer destruir nosso país e tudo o que construímos, mas conhecemos a força do povo ucraniano.”
Desde então, Zelensky usou seu escritório em Kiev para fazer uma série de discursos ao Congresso dos Estados Unidos, ao Parlamento britânico, à União Européia e a muitos outros grupos, pedindo apoio militar, agradecendo às nações por apoiarem a Ucrânia e definindo o conflito em seu país como uma disputa entre a liberdade e o despotismo.
Até mesmo seu visual informal – calçando coturnos, de calça cáqui, com camiseta verde e barba por fazer – tornou-se uma marca registrada, reforçando sua imagem de cidadão-soldado. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.