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Projeto-piloto do Ministério da Saúde utiliza a autocoleta para diagnosticar o HPV

Os agentes comunitários estão em busca de mulheres que não estão em dia com o exame para rastrear o câncer de colo de útero. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Cinco cidades brasileiras estão participando de um projeto piloto, do Ministério da Saúde, que usa a autocoleta para diagnosticar o HPV (sigla em inglês para Papilomavírus Humano).

Os agentes comunitários estão em busca de mulheres que não estão em dia com o exame para rastrear o câncer de colo de útero.

“A gente tem mulheres que fazem mais de 13 anos que não fez coleta”, afirma Juliane Souza de Paulo, agente comunitária de Saúde.

No Papanicolau, também conhecido como preventivo, um profissional de saúde colhe amostras do tecido do útero e deve ser feito preferencialmente a cada ano depois do começo da vida sexual. A Romilda não fazia o exame havia quatro anos.

“Eu achava muito constrangedor”, diz Romilda Pereira, zeladora, participante da pesquisa.

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, mais de 6% das mulheres de 25 a 64 anos nunca fizeram o preventivo. O Ministério da Saúde quer mudar essa estatística e derrubar a barreira que pacientes têm em relação ao Papanicolau.

Para isso, vai avaliar a aceitação do auto-teste, que já existe no mercado, mas muita gente desconhece. Nele, a própria mulher coleta em casa o material, que será analisado por um laboratório. Esse projeto piloto está convidando cerca de mil mulheres de cinco cidades brasileiras, uma de cada região.

Em todas as cidades que participam do projeto, a pesquisa é feita por amostragem. Em Maringá (PR), serão 320 mulheres com idade entre 25 e 64 anos. São pacientes que não fizeram o exame preventivo há pelo menos 4 anos. E elas serão divididas em dois grupos. Pra um grupo vai ser oferecido o Papanicolau. Pro outro grupo, a autocoleta.

“Pode ser feito o auto teste ali na hora, no momento. A mulher pode fazer no momento e já devolver para a agente comunitária de saúde. Ela pode fazer depois, 15 dias depois a agente comunitária de saúde vai retornar na casa dessa mulher pra pegar o exame”, destaca Clovis Mello, secretário de Saúde do município.

Se a autocoleta for bem aceita, ela poderá ser oferecida pelo sistema público de saúde. O objetivo é incentivar as mulheres a fazerem o preventivo. O câncer de colo de útero mata, em média, 7 mil brasileiras por ano. Mas, quando descoberto no início, através do exame, as chances de cura são altas.

“Nossa expectativa é que se aplicando pro sistema público de saúde a gente vai poder chegar nos objetivos da Organização Mundial da Saúde que é a eliminação do câncer de colo uterino. Quando dizemos eliminação, não é que não vão ocorrer raros casos no país, mas que vão ser salvas milhares de vidas evitando que as mulheres tenham esse câncer que é totalmente prevenível”, ressalta Marcia Consolaro.

HPV

O HPV é responsável pela infecção sexualmente transmissível mais frequente no mundo. Está associado ao desenvolvimento da quase totalidade dos canceres de colo de útero, bem como a diversos outros tumores em homens e mulheres. Além disso, provoca verrugas anogenitais (região genital e no ânus) e câncer, a depender do tipo de vírus. A infecção pelo HPV é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST).

A infecção pelo HPV não apresenta sintomas na maioria das pessoas. Em alguns casos, o HPV pode ficar latente de meses a anos, sem manifestar sinais (visíveis a olho nu), ou apresentar manifestações subclínicas (não visíveis a olho nu). A diminuição da resistência do organismo pode desencadear a multiplicação do HPV e, consequentemente, provocar o aparecimento de lesões. A maioria das infecções (sobretudo em adolescentes) tem resolução espontânea, pelo próprio organismo, em um período aproximado de até 24 meses.

As primeiras manifestações da infecção pelo HPV surgem entre, aproximadamente, 2 a 8 meses, mas pode demorar até 20 anos para aparecer algum sinal da infecção. As manifestações costumam ser mais comuns em gestantes e em pessoas com imunidade baixa. O diagnóstico do HPV é atualmente realizado por meio de exames clínicos e laboratoriais, dependendo do tipo de lesão, se clínica ou subclínica.

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