Domingo, 06 de abril de 2025
Por Redação O Sul | 5 de abril de 2025
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) alerta sobre os efeitos na pele de medicamentos como Ozempic, destinados ao emagrecimento e controle do diabetes.
“Embora os efeitos adversos mais comuns sejam gastrointestinais, em relação à pele, estudos recentes identificaram efeitos menos comuns, mas relevantes. Entre eles estão queda de cabelo (alopecia), alterações na sensibilidade da pele (como formigamento, dor ou queimação) e reações no local da aplicação subcutânea. Eventos raros foram relatados de maneira isolada como penfigoide bolhoso, vasculite leucocitoclástica e angioedema”, explica o médico dermatologista João Renato Gontijo, coordenador do Departamento de Medicina Interna da SBD, em comunicado.
Gontijo também lembra que uma das principais consequências da rápida perda de peso promovida por esses medicamentos é a diminuição do volume subcutâneo, o que pode resultar em flacidez, rugas e aparência envelhecida. Ainda segundo o especialista, a perda de peso rápida e acentuada pode comprometer os níveis de nutrientes essenciais, como proteínas, vitaminas e ácidos graxos, fundamentais para a manutenção da hidratação, elasticidade e barreira cutânea da pele.
Sobre pacientes com histórico de doenças autoimunes cutâneas, como lúpus ou penfigoide bolhoso, o médico destaca que embora não existam contraindicações formais, é recomendado que sejam acompanhados pelo dermatologista, porque já foram relatados casos de reativação ou surgimento destas condições durante o uso da semaglutida – princípio ativo de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Rybelsus.
Em relação aos cuidados dermatológicos, o médico Daniel Coimbra, coordenador do Departamento de Cosmiatria da SBD, alerta que o uso desses medicamentos inibe a proliferação de células-tronco adiposas. “Com isso, muitos pacientes percebem um envelhecimento acelerado, que pode ser de 5 a 10 anos, dependendo da quantidade de peso perdido e de fatores individuais, como genética e exposição a fatores ambientais”, explica.
A boa notícia é que é possível minimizar os efeitos adversos cutâneos causados pela perda de peso rápida. Priscilla Sarlos, médica dermatologista da SBD aponta que tratamentos como o uso de bioestimuladores de colágeno, como o ácido poli-L-láctico (PLLA), podem ser eficazes para restaurar a qualidade da pele.
“O PLLA estimula a produção de colágeno tipo I, elastina e proteoglicanos, além de melhorar a função dos fibroblastos senescentes. O uso desses tratamentos deve ser avaliado a cada 4 kg de perda de peso”, explica.
Além disso, a médica sugere o uso de técnicas de ajuste volumétrico com ácido hialurônico, desde que feitas de forma cautelosa, para evitar um aumento excessivo da volumetria facial, que poderia gerar um resultado esteticamente indesejável. Os médicos também destacam que os cuidados cosméticos básicos, como hidratação e uso de protetor solar, são essenciais para reduzir os sinais da perda de peso rápida no envelhecimento cutâneo. Eles recomendam o uso de ácidos retinóicos, que ajudam a renovar as células da pele e melhorar a textura.
A SBD reforça a importância de pacientes que utilizam esse tipo de medicamento serem acompanhados por um dermatologista, especialmente para monitorar e tratar os efeitos adversos na saúde da pele.