Terça-feira, 14 de janeiro de 2025
Por Redação O Sul | 17 de janeiro de 2018
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editorias de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
O rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela Standard & Poor’s é só um reflexo do fato de que o Brasil está longe de andar pelo caminho certo. Embriagada pela inflação abaixo da meta – meta essa que ela mesmo estabeleceu –, a equipe econômica do presidente Michel Temer quis mostrar para a população que o Brasil está bem. Não está. Nenhum país com um déficit de R$ 157 bilhões pode estar. É um paciente em coma.
Sim, é possível que a reforma da Previdência Social tivesse o condão de evitar o rebaixamento da nota de crédito, mas ainda assim estaríamos longe do sonhado grau de investimento, reservado a países considerados seguros para seus credores. O que isso impacta? Em muita coisa. Grandes investidores internacionais têm, dentro de sua política, o investimento em países com determinada nota de crédito. O rebaixamento afugenta os grandes investidores do mercado brasileiro, reduzindo o investimento estrangeiro no país. E isso foi só o começo: o rebaixamento da nota pela Standard & Poor’s abriu caminho para que a Moody’s e a Fitch façam o mesmo.
A grande verdade é que a reforma da Previdência Social é apenas parte do problema. Com a retomada econômica e o aumento da receita fiscal, a deterioração das contas até poderá diminuir, mas, enquanto não houver um verdadeiro ajuste fiscal, o país continuará irresponsável. Ajuste fiscal não significa aumento de impostos. Essa conta o brasileiro sabe bem quem paga. Quando se fala em ajuste fiscal, deve-se falar em redução do tamanho do Estado, uma coisa com a qual nossos políticos parecem não estar muito preocupados.
Em vez de pensar na redução do tamanho do Estado, nas últimas semanas o governo só esteve preocupado em aprovar uma proposta de emenda à constituição (PEC) para acabar com a chamada “regra de ouro”, o que permitiria ao governo tomar crédito para cobrir despesas de custeio. Para o governo, é mais fácil jogar o problema para as administrações futuras do que achar uma solução. Após forte pressão, a ideia foi abandonada.
Enquanto nossos políticos não entenderem que a solução para o país como um todo, não só para a União Federal, passa por uma redução do tamanho do Estado, sofreremos as consequências. Hoje é o rebaixamento da nota de crédito; e amanhã, o que será? Todos estão cansados de pagar pesados impostos e não ver resultados. Estamos cansados de ser constantemente ameaçados a pagar ainda mais impostos e não ver a contrapartida por parte do governo.
Sillas Neves, advogado e associado do IEE
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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